Afinal, corte radial é melhor ou o tangencial também é uma boa opção para um instrumento musical?

Em 2020, a Suhr resolveu inserir novas opções em sua linha de produtos customizados: além dos instrumentos confeccionados com os braços em maple cortados radialmente, resolveram oferecer guitarras com braços confeccionados com maple cortado tangencialmente. 

A ideia não é nova, muito pelo contrário. Há centenas de anos os construtores de instrumentos de cordas friccionadas (violinos, violas e cellos, por exemplo) esculpem os seus braços em maple cortados tangencialmente, visando a estabilidade na movimentação. 

A Suhr informou através de seu comunicado na época que a decisão foi motivada, em grande parte, “ao crescente número de solicitações de clientes e discussões na internet sobre as diferenças na estabilidade da madeira serrada plana. É claro que oferecer aos nossos clientes as opções que desejam é a essência de um fabricante de guitarras personalizadas como a Suhr”.

E o que seria o “corte radial” e o “corte tangencial”?

Esses termos se referem à orientação em que o lenho da madeira é cortado. Cortar os blanks do braço em uma orientação diferente da do tronco resultará em um braço com uma estrutura de veios diferente. Isso pode ser observado facilmente em sua guitarra, observando a parte superior do headstock.

Braços de guitarras Suhr com corte radial (esquerda) e corte tangencial (direita).

Na imagem acima, podemos observar um braço radial à esquerda e um braço tangencial à direita. Na imagem abaixo, também é possível ver claramente a direção em que os veios correm. O padrão da venatura vertical vem do maple radial (que está à direita da imagem abaixo) e o braço à esquerda da imagem abaixo tem um padrão de veios horizontais, que é o corte tangencial.

Braços de guitarras Fender com corte tangencial (esquerda) e radial (direita).

O que isso significa para a estabilidade do braço do instrumento e onde começou o debate entre corte radial e corte tangencial? 

Vamos deixar aqui uma explicação de John Suhr:

“O maple possui poros difusos em sua estrutura de grãos, portanto, em termos de estabilidade, não apresenta maior flexibilidade em uma direção do que em outra. A maioria dos instrumentos vintage era feita com corte tangencial, simplesmente devido à disponibilidade de madeira nas décadas de 50 e 60. Um subproduto disso é que muitas pessoas acham que o corte tangencial soa melhor ou tem uma pegada melhor do que o corte radial. Há também quem ache que o corte radial tem mais projeção, e algumas empresas são elogiadas por usar madeira serrada radialmente em seus braços. Minha opinião, após 40 anos construindo guitarras, é que basicamente não há diferença. O corte radial tem uma ligeira vantagem por ser mais dimensionalmente estável na direção da largura. No entanto, secamos nossa madeira com muito cuidado, então isso não é um problema. Com o roasted maple, nada disso importa. O corte tangencial também mostrará mais os veios na lateral do braço, se for, por exemplo, flamed maple. Alguns construtores usam exclusivamente o corte tangencial, e outros usam apenas o corte radial. Como não tenho opinião sobre qual é melhor, decidimos agora oferecer ambas as opções em nossos produtos.” 

É importante lembrar que esta é uma percepção de um fabricante de guitarras. Vale ressaltar que construtores de instrumentos clássicos utilizam o corte tangencial tradicionalmente na confecção de braços há quase meio milênio, seguindo os passos de Gasparo da Salo (1540-1609), luthier de Brescia. Na Era de Ouro (por volta de 1700), construtores cremonenses adotavam o corte radial para a confecção das partes da caixa de ressonância, mas mantinham o braço confeccionado em maple (ou acero) com corte tangencial.

Braço do violino “The Carrodus” construído em 1708 por Stradivari com maple em corte tangencial.

E você? Prefere o braço em corte tangencial ou radial?

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