{"id":31,"date":"2022-07-04T11:59:00","date_gmt":"2022-07-04T14:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/delaetmusic.com\/como-os-instrumentos-artesanais-transformam-a-musica\/"},"modified":"2026-03-26T22:16:38","modified_gmt":"2026-03-27T01:16:38","slug":"guitarrabarroca-1679-antoniostradivari","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/guitarrabarroca-1679-antoniostradivari\/","title":{"rendered":"The baroque guitar \u201cSabionari\u201d 1679 by Antonio Stradivari"},"content":{"rendered":"<p>Quando pensamos no mais aclamado luthier de todos os tempos, Antonio Stradivari, inevitavelmente nos v\u00eam a mente os lend\u00e1rios violinos que at\u00e9 hoje inspiram muitos mestres da luteria. No entanto, a nossa &#8220;violinha Sabionari&#8221;, constru\u00edda em 1679, \u00e9 uma das cinco guitarras barrocas feitas pelo mestre dos mestres na arte da Luteria. Ela atualmente faz parte do acervo de um colecionador privado e est\u00e1 em exposi\u00e7\u00e3o no Museu do Violino em Cremona, It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A guitarra barroca de Stradivari possui cinco pares de cordas, trastes confeccionados com tripa e madeiras tradicionais na constru\u00e7\u00e3o dos instrumentos musicais europeus, como o abeto e o acero (ou maple).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma carta escrita em 1854 pelo propriet\u00e1rio daquela \u00e9poca, um negociante de artes, Filippo Benetti de Ferrara, a um novo comprador, um propriet\u00e1rio de terras da Bolonha, Vincenzo Tioli apresenta informa\u00e7\u00f5es sobre como o instrumento chegou \u00e0s suas m\u00e3os. Segundo a carta que registra o paradeiro do instrumento entre os s\u00e9culos 18 e 19, Benetti comprou a violinha de Giovanni Sabionari (por esta raz\u00e3o o instrumento \u00e9 nomeado atualmente deste modo), que tinha adquirido diretamente de um descendente da fam\u00edlia Stradivari e, desde o momento que adquiriu at\u00e9 o momento da venda para Benetti n\u00e3o foi repassado para mais ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaetmusic.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/violastradivari-1920w-1-1024x1024.webp?resize=1024%2C1024\" alt=\"\" class=\"wp-image-366\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/violastradivari-1920w-1.webp?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/violastradivari-1920w-1.webp?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/violastradivari-1920w-1.webp?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/violastradivari-1920w-1.webp?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/violastradivari-1920w-1.webp?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/violastradivari-1920w-1.webp?resize=12%2C12&amp;ssl=1 12w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/violastradivari-1920w-1.webp?resize=600%2C600&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/violastradivari-1920w-1.webp?resize=100%2C100&amp;ssl=1 100w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/violastradivari-1920w-1.webp?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 1997, o pesquisador Gianpaolo Gregori publicou um estudo apresentando a hist\u00f3ria e uma an\u00e1lise comparativa organol\u00f3gica das cinco &#8220;violinhas&#8221; remanescentes constru\u00eddas por Stradivari, incluindo a &#8220;Sabionari&#8221; &#8211; e descreveu o paradeiro do instrumento ap\u00f3s a sua venda em 1854: em 1888, a &#8220;violinha&#8221; esteve nas m\u00e3os de um novo propriet\u00e1rio, F. Donati, que a apresentou na&nbsp;<em>Feira Internacional de Instrumentos Musicais em Bolonha&nbsp;<\/em>. A apresenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica ficou a cargo do luthier Giuseppe Fiorini, e o honor\u00e1vel presidente foi Giuseppe Verdi.<br>Entre os anos de 1935 e 1945 (per\u00edodo da Segunda Guerra Mundial), a violinha foi vendida em Bolonha para um negociante chamado G. Bagnoli pelos seus propriet\u00e1rios na \u00e9poca. E durante a&nbsp;<em>10<\/em>&nbsp;<em>\u00aa&nbsp;<\/em><em>Conven\u00e7\u00e3o de Viol\u00e3o em Bolonha<\/em>&nbsp;, no dia 5 de dezembro de 1948, foi apresentada para Andres Segovia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1896269978\">O famoso violonista espanhol examinou a violinha minuciosamente e decidiu inserir sua assinatura dentro do instrumento, bem pr\u00f3ximo da boca:&nbsp;<em>&#8220;Due secoli pi\u00f9 tarde, A. Segovia Bologna 1948&#8221;<\/em>&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1221214590\">Em 1984, a &#8220;Sabionari&#8221; era exibida na Exposi\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>&#8220;L\u00b4uomo e il legno&#8221;&nbsp;<\/em>em Mil\u00e3o, e a sua exposi\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica ficou a cargo de Bruce Carlson, convidado Gianpaolo Gregori para examinar a violinha. Stewart Pollens, antigo restaurador de Instrumentos Musicais&nbsp; do&nbsp;<em>Metropolitan Museum of Art&nbsp;<\/em>em Nova York, incluiu um cap\u00edtulo para as guitarras Stradivari em seu livro de 2010 &#8220;Stradivari&#8221;, onde ele descreve a &#8220;Sabionari&#8221; antes de sua restaura\u00e7\u00e3o em 2011.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1632533808\">Ao final de 2010, os atuais propriet\u00e1rios confiaram ao luthier franc\u00eas Sinier de Ridder a restaura\u00e7\u00e3o da violinha. Infelizmente nenhuma destas violinhas Stradivari estavam em condi\u00e7\u00f5es de serem tocadas e, por essa raz\u00e3o, ningu\u00e9m no mundo moderno teve a oportunidade de ouvir o som destes instrumentos. Mas isso mudaria no mundo p\u00f3s-moderno!<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1860708291\">Em 27 de abril de 2011, a Sabionari foi exibida no&nbsp;<em>Fabre Museum&nbsp;<\/em>em Montpellier, quando Sinier de Ridder apresentou detalhes sobre o processo de restaura\u00e7\u00e3o, e a violinha constru\u00edda por Stradivari teve a oportunidade de ser ouvida pela primeira vez com uma performance do violonista Krishnasol Jim\u00e9nez Moreno. Em mar\u00e7o de 2012, Sinier de Ridder produziu um certificado de autenticidade do instrumento.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1245719950\">Em junho de 2012, 333 anos ap\u00f3s ser constru\u00edda, a Sabionari retornou \u00e0 Cremona e foi confiada \u00e0&nbsp;<em>Fondazione Museu del Violino Antonio Stradivari.<\/em>&nbsp;Atualmente est\u00e1 exposta como parte da cole\u00e7\u00e3o &#8220;Amigos de Stradivari&#8221; do Museu do Violino.&nbsp; O restaurador do museu, Fausto Cacciatori, descreveu a violinha em um artigo publicado em um suplemento da revista&nbsp;<em>The Strad&nbsp;<\/em>em Setembro de 2013.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1169210381\">Em Junho e Setembro de 2012, Krishnasol Jimenez Moreno fez a primeira grava\u00e7\u00e3o da violinha Sabionari, executando pe\u00e7as publicadas por Robert de Vis\u00e9e em Paris em 1682.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1902802538\">Moreno cita:&nbsp;<em>&#8220;Gravando um CD com um instrumento do qual n\u00e3o foi tocado nos \u00faltimos 200 anos, e que foi restaurado, j\u00e1 constitui um desafio. Adicionalmente, nenhuma outra grava\u00e7\u00e3o foi realizada com nenhuma outra viola Stradivari at\u00e9 esta data; tudo isso feito para uma experi\u00eancia emocionante. Assim como a m\u00fasica de Vis\u00e9e se mostra uma fonte de conhecimento, um envolvimento aprofundado com um instrumento de seu tempo enriquece nossa compreens\u00e3o da arte da interpreta\u00e7\u00e3o. O caminho no qual um som espec\u00edfico \u00e9 produzido, o fraseado do texto musical, e a busca da digita\u00e7\u00e3o apropriada s\u00e3o diretamente influenciados pelo instrumento. Neste sentido eu encontrei um mestre excepcional&nbsp; na guitarra &#8220;Sabionari&#8221;&nbsp;<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1705793213\">No dia 10 de maio de 2014, Gianpaolo Gregori, Fausto Cacciatori, Lorenzo Frignani e o violonista Rolf Lislevand participaram de uma palestra do&nbsp;<em>Museu del Violino&nbsp;&nbsp;<\/em>em Cremona intitulada&nbsp;<em>&#8220;Stradivari costruttore di chitarre, la Sabionari del 1679&#8221;<\/em>&nbsp;. Naquela noite, Lislevand tocou na &#8220;Sabionari&#8221; em um Concerto.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1454710217\">Ele descreveu da seguinte forma:&nbsp;<em>&#8220;Este instrumento tem um incr\u00edvel equil\u00edbrio de dois par\u00e2metros, ataque e resson\u00e2ncia, jamais ouvidos em outro. Eu optei por trazer m\u00fasicas quase nunca tocadas: \u00f3peras italianas da primeira metade de 1600. Tocar uma c\u00f3pia moderna de guitarra barroca n\u00e3o me dava a sensa\u00e7\u00e3o de ter entendido. Com uma guitarra desta qualidade, esta m\u00fasica renasce milagrosamente&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"1053494446\">De janeiro a abril de 2015, a Sabionari foi exposta no&nbsp;<em>HMB &#8211; Museum f\u00fcr Musik in Basel<\/em>&nbsp;como parte da Exposi\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>&#8220;GUITARORAMA &#8211; Guitars from Stradivari to Stratocaster&#8221;.<\/em>&nbsp;&nbsp; A viola tamb\u00e9m foi apresentada com a palestra de Sinier de Ridder e um concerto de Krishnasol Jim\u00e9nez Moreno na&nbsp;<em>Musik-Akademie Basel<\/em>&nbsp;. Em Junho de 2015, Jim\u00e9nez Moreno gravou um novo \u00e1lbum no audit\u00f3rio do Museu del Violino em Cremona executando m\u00fasicas de Angelo Michele Bartolotti&nbsp; escritas por volta de 1656.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p><em>Confira Rolf Lislevand tocando a guitarra barroca &#8220;Sabionari&#8221; constru\u00edda por A. Stradivari.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yGKan6eX5ug?si=qiyS9_ALqkDUpbbK\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando pensamos no mais aclamado luthier de todos os tempos, Antonio Stradivari, inevitavelmente nos v\u00eam a mente os lend\u00e1rios violinos que at\u00e9 hoje inspiram muitos mestres da luteria. No entanto, a nossa &#8220;violinha Sabionari&#8221;, constru\u00edda em 1679, \u00e9 uma das cinco guitarras barrocas feitas pelo mestre dos mestres na arte da Luteria. Ela atualmente faz [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":366,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[23],"tags":[32,34,27,29,31,30,33],"class_list":["post-31","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-organologia","tag-antonio-stradivari","tag-cremona","tag-featured","tag-guitarra-barroca","tag-sabionari","tag-stradivari","tag-viola"],"aioseo_notices":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/violastradivari-1920w-1.webp?fit=1920%2C1920&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":381,"href":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31\/revisions\/381"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}