{"id":33,"date":"2023-09-29T11:59:00","date_gmt":"2023-09-29T14:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/delaetmusic.com\/o-que-torna-um-instrumento-musical-verdadeiramente-unico\/"},"modified":"2026-03-26T22:15:52","modified_gmt":"2026-03-27T01:15:52","slug":"customshop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/delaet.com.br\/en\/customshop\/","title":{"rendered":"Is it a \"custom shop,\" \"luthier-made,\" or \"branded\" instrument?"},"content":{"rendered":"<p>Conhecendo os termos t\u00e9cnicos para evitar as &#8220;imprecis\u00f5es&#8221; cada vez mais frequentes em denominar instrumentos de alto padr\u00e3o no Brasil<br><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>Nos \u00faltimos anos, encontramos in\u00fameras mensagens em redes sociais de m\u00fasicos e entusiastas &#8211; em sua grande maioria, guitarristas &#8211; com d\u00favidas sobre adquirir um instrumento &#8220;de marca&#8221; ou um instrumento &#8220;de luthier&#8221;.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nos grupos de discuss\u00e3o do Facebook encontramos v\u00e1rias opini\u00f5es acerca do tema, dissertando sobre as vantagens e as desvantagens em cada uma das op\u00e7\u00f5es. N\u00e3o apenas m\u00fasicos, mas fabricantes e construtores brasileiros que participam destes grupos tamb\u00e9m acabam difundindo mitos e demonstrando dificuldades em explicar diferen\u00e7as, muitas vezes confundindo termos relacionados a caracter\u00edsticas do processo de fabrica\u00e7\u00e3o aplicado com &#8220;padr\u00e3o de qualidade&#8221; do instrumento.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema ficou ainda mais acalorado com o surgimento de uma nova marca de guitarras&nbsp;<em>Premium<\/em>, a Hertom Guitars, denominada de forma &#8220;imprecisa&#8221; como uma &#8220;marca&nbsp;<em>custom shop<\/em>&#8221; pela revista Guitarload, possivelmente com a inten\u00e7\u00e3o de informar que se trata de uma marca&nbsp;<em>Premium,&nbsp;<\/em>voltada para o mercado&nbsp;<em>High End,&nbsp;<\/em>ou, como tamb\u00e9m denominado, mercado de luxo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, surgiram muitas indaga\u00e7\u00f5es sobre a origem da marca, afirma\u00e7\u00f5es equivocadas e cr\u00edticas em grupos de redes sociais sobre os produtos da Hertom, que nem ao menos foram testados pelos cr\u00edticos.&nbsp; Encontramos desde aqueles que reclamam da precifica\u00e7\u00e3o das guitarras acima de dez mil reais (ignorando suas especifica\u00e7\u00f5es), at\u00e9 os que buscam fundamentar o seu descr\u00e9dito por serem &#8220;instrumentos asi\u00e1ticos, que n\u00e3o s\u00e3o instrumentos&nbsp;<em>de luthier\/custom shop<\/em>&nbsp;de verdade&#8221;, entre outras denomina\u00e7\u00f5es ainda mais equivocadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para evitar ainda mais imprecis\u00f5es, basta reconhecer e utilizar os termos t\u00e9cnicos que s\u00e3o utilizados no mercado mundial por profissionais do nosso setor musical, que faz parte da economia criativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Fato, s\u00e3o raros os lojistas e ditos &#8220;profissionais da m\u00fasica&#8221; no Brasil que est\u00e3o familiarizados com estes termos, mas esta \u00e9 uma quest\u00e3o social que ir\u00e1 esbarrar em falhas no sistema de educa\u00e7\u00e3o brasileiro, bem como a falta de qualifica\u00e7\u00e3o da grande maioria dos profissionais que atuam na economia criativa brasileira, que inclusive, em sua grande maioria, desempenham sua atividade econ\u00f4mica de maneira informal.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos l\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>INSTRUMENTOS DE F\u00c1BRICA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Independente se s\u00e3o &#8220;de marca&#8221; (&#8220;marcas consagradas&#8221;, voltadas ao segmento premium) ou de entrada, s\u00e3o aqueles instrumentos produzidos em escala. O surgimento destes instrumentos est\u00e3o intimamente ligados \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o industrial no s\u00e9culo XVIII, onde o intuito era criar mecanismos para produzir mais em um menor intervalo de tempo e, com isso, diminuir custos, seja pelo fato de se conseguir comprar insumos pelo menor pre\u00e7o &#8211; com o poder de barganha &#8211; ou otimizando os processos, padronizando medidas e sistemas de controle.<\/p>\n\n\n\n<p>A cultura dos &#8220;fins justificam os meios&#8221; dos instrumentos de f\u00e1brica ajudou a expandir o alcance da pr\u00e1tica musical, fazendo despencar os pre\u00e7os dos instrumentos musicais, antes limitados aos instrumentos de oficina e de autor. No setor de instrumentos musicais, temos fabricantes que surgiram no s\u00e9culo XIX que atuam no mercado at\u00e9 hoje. No Brasil, inclusive, fabricantes como Tranquilo Giannini e Romeu Di Giorgio foram os precursores de nossa ind\u00fastria no in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p>Estruturalmente, as fabricantes variam bastante, seja em termos organizacionais como em processos. Quanto aos processos, s\u00e3o tantos que enumer\u00e1-los seria algo digno de uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. Entretanto, para ajudar na compreens\u00e3o, podemos dizer que a maioria das fabricantes do setor apostam no modelo &#8220;fabless&#8221;, ou &#8220;f\u00e1brica sem f\u00e1brica&#8221;, onde temos o desenvolvimento dos instrumentos musicais produzidos pela empresa enquanto a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada em uma f\u00e1brica terceirizada (geralmente na \u00c1sia).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dele, algumas gigantes como Gibson e Fender (que s\u00e3o o foco de nosso artigo, por pertencerem ao &#8220;mercado de luxo&#8221;) apostam em um modelo &#8220;h\u00edbrido&#8221;, onde possuem plantas pr\u00f3prias para produzir instrumentos com alto valor agregado, enquanto instrumentos de entrada ser\u00e3o produzidos por empresas terceirizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Independente qual seja o modelo de produ\u00e7\u00e3o, o foco \u00e9 produzir em escala, garantindo um padr\u00e3o alinhado aos anseios dos diversos p\u00fablicos atendidos pelas diversas linhas (do baixo custo ao mercado de luxo), diminuindo custos e maximizando lucros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PONTOS POSITIVOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o padronizada:<\/strong>&nbsp;todos os instrumentos seguem rigorosamente os padr\u00f5es estabelecidos pela dire\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, independente qual seja a linha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acessibilidade:<\/strong>&nbsp;Os pre\u00e7os podem ser salgados para muitas linhas (para quem est\u00e1 acostumado a instrumentos de entrada e intermedi\u00e1rios). No entanto, os instrumentos de f\u00e1brica&nbsp; possuem boa distribui\u00e7\u00e3o e podem ser encontrados em praticamente todas as partes do mundo, sendo distribu\u00eddos em lojas do setor, marketplaces, entre outros pontos de venda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reconhecimento do grande p\u00fablico:<\/strong>&nbsp;mesmo quem n\u00e3o \u00e9 m\u00fasico reconhece as grandes marcas do setor. Possuem bons departamentos de marketing e, via de regra, se preocupam em realizar uma boa gest\u00e3o de marca. Isso quer dizer que, se voc\u00ea consome instrumento musical como um ve\u00edculo popular, onde o &#8220;valor de revenda&#8221; pesa muito na escolha, este \u00e9 o perfil ideal de instrumento, justamente pela facilidade de reconhecimento da marca por um grande p\u00fablico!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Manuten\u00e7\u00e3o:&nbsp;<\/strong>instrumentos de f\u00e1brica possuem processos de produ\u00e7\u00e3o simplificados (afinal, para produzir muito, \u00e9 fundamental que seja um processo r\u00e1pido e simples, n\u00e3o \u00e9 mesmo?). Isso quer dizer que, por seguirem sempre com um padr\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, mesmo que as fabricantes n\u00e3o compartilhem um detalhe ou outro devido aos &#8220;diferenciais&#8221; que desejam atribuir para as suas linhas, ter\u00e3o mais pontos em comum do que diferen\u00e7as. Quer exemplos? Dimens\u00f5es padr\u00e3o de mercado para escalas, distanciamento de tarraxas, tamanho dos trastes, funcionamento de tensores, dimens\u00f5es de rastilho, cavaletes, captadores, tipos de conex\u00f5es, entre outras coisas. Ali\u00e1s, uma das caracter\u00edsticas mais marcantes em instrumentos de f\u00e1brica \u00e9 o uso de verniz PU. F\u00e1cil aplica\u00e7\u00e3o, seca r\u00e1pido e garante um acabamento uniforme. Existe tamb\u00e9m aqueles instrumentos de corpo s\u00f3lido que utilizam nitrocelulose, que, apesar de n\u00e3o ter as caracter\u00edsticas valorizadas para a &#8220;produ\u00e7\u00e3o toque de caixa&#8221;, \u00e9 um processo tamb\u00e9m bastante difundido, o que garante uma maior facilidade em encontrar profissionais qualificados para manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PONTOS NEGATIVOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Falta de flexibilidade:<\/strong>&nbsp;sabe aquele ditado &#8220;em time que est\u00e1 ganhando n\u00e3o se mexe&#8221;? \u00c9 o &#8220;mantra&#8221; de praticamente todas as fabricantes no mundo. Os fabricantes evitam alterar projetos, planejamentos, programa\u00e7\u00f5es, especifica\u00e7\u00f5es de produtos, formas de distribui\u00e7\u00e3o e qualquer outra caracter\u00edstica do neg\u00f3cio, pois toda mudan\u00e7a gera um custo (e, no caso de empresas gigantes, os custos ser\u00e3o proporcionais). \u00c9 por essa raz\u00e3o que as marcas consagradas sempre apresentam o seu produto &#8220;repaginado&#8221;, o &#8220;facelift&#8221;, e seguem deste modo enquanto o n\u00famero das vendas seguirem dentro de um valor que mantenha o ponto de equil\u00edbrio entre a margem de lucro desejada e os custos necess\u00e1rios para produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Furtos e Roubos:&nbsp;<\/strong>Independente se s\u00e3o de f\u00e1brica ou n\u00e3o, instrumentos musicais tamb\u00e9m s\u00e3o alvos de furtos e roubos, infelizmente. Os instrumentos de f\u00e1brica, apesar de alguns terem n\u00fameros de s\u00e9rie, s\u00e3o os mais f\u00e1ceis de serem repassados adiante e de n\u00e3o serem reconhecidos. Os instrumentos el\u00e9tricos inclusive possuem o agravante de terem a possibilidade de serem desmontados e terem suas pe\u00e7as vendidas separadamente pelos bandidos. Como o seu ambiente \u00e9 o &#8220;lugar comum&#8221;, presente nos mais diversos lugares devido a sua produ\u00e7\u00e3o de larga escala, o instrumento pode facilmente &#8220;desaparecer no meio da multid\u00e3o&#8221;, receber nova roupagem e seguir rumo por outros palcos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para quem se destina?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os instrumentos de f\u00e1brica est\u00e3o em todos os lugares, literalmente! Seus instrumentos de entrada s\u00e3o perfeitos para as escolas de m\u00fasica e estudantes das mais variadas idades, assim como para os adeptos tocadores de finais de semana que n\u00e3o desejam investir muito. J\u00e1, os modelos voltados ao segmento premium s\u00e3o destinados aos m\u00fasicos profissionais para os mais variados trabalhos, de palco ou est\u00fadio e, tamb\u00e9m, aos entusiastas que desejam tocar em churrascos e festas de fam\u00edia sem abrir m\u00e3o do estilo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>INSTRUMENTOS DE OFICINA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quem nunca se deparou com um an\u00fancio com o t\u00edtulo &#8220;GUITARRA DE LUTHIER&#8221; nas mais diversas plataformas e grupos de discuss\u00e3o voltados para guitarristas? Em sua grande maioria, estes instrumentos s\u00e3o &#8220;DE OFICINA&#8221;, constru\u00eddos por uma oficina (ou ateli\u00ea), tamb\u00e9m chamadas de Workshop (como s\u00e3o denominadas as oficinas em ingl\u00eas) ou<em>&nbsp;Custom Shop<\/em>&nbsp;(quando s\u00e3o especializadas em instrumentos personalizados).<\/p>\n\n\n\n<p>Instrumentos de oficina s\u00e3o aqueles constru\u00eddos por uma equipe composta por um mestre luthier (ou&nbsp;<em>masterbuilder<\/em>) e seus assistentes, que ir\u00e3o construir instrumentos musicais sob encomenda ou em pequena escala. Aqui os &#8220;fins justificam os meios&#8221; tamb\u00e9m, mas, diferente de uma f\u00e1brica, onde o foco principal est\u00e1 em diminuir custos e maximizar lucros, as oficinas produzem em um volume menor com o intuito de garantir um padr\u00e3o de qualidade elevado em todos os instrumentos. Isso quer dizer que todo o processo de constru\u00e7\u00e3o \u00e9 mais lento que uma f\u00e1brica, pois haver\u00e1 mecanismos para certificar a qualidade em cada etapa do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com os avan\u00e7os da tecnologia, o segmento de instrumentos de oficina foi o que mais cresceu. Isso porque, al\u00e9m daqueles que apostam na fabrica\u00e7\u00e3o utilizando equipes de funcion\u00e1rios treinados, surgiram empreendedores que apostaram na ado\u00e7\u00e3o de ferramentas aut\u00f4nomas, como uma CNC, seja pela praticidade de conseguir diminuir a quantidade de colaboradores (apenas um operador \u00e9 necess\u00e1rio para monitorar e seguir com as etapas de cada processo realizado pela m\u00e1quina) ou pela dificuldade de se conseguir m\u00e3o de obra qualificada para o servi\u00e7o ou at\u00e9 mesmo trein\u00e1-la. O processo, de certo modo, segue o mesmo para ambos os casos, sempre com um mestre luthier &#8220;orientando&#8221; o trabalho a ser feito (no caso, uma m\u00e1quina).<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e1quina, assim como o grupo de luthiers orientado pelo&nbsp;<em>masterbuilder&nbsp;<\/em>em uma oficina &#8220;tradicional&#8221;, ir\u00e1 realizar a usinagem das pe\u00e7as com cortes, rebaixos, furos, etc. Em suma, o trabalho pesado, poder\u00e1 ser realizado por um artes\u00e3o assistente (ou v\u00e1rios, dependendo do volume de produ\u00e7\u00e3o) ou por uma m\u00e1quina aut\u00f4noma; em vez de uma m\u00e3o humana empunhando a tupia\/router, teremos uma m\u00e1quina com pelo menos tr\u00eas eixos lineares movimentando a ferramenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste modo, se temos um luthier com uma equipe auxiliando na constru\u00e7\u00e3o, ou um luthier utilizando uma m\u00e1quina CNC para construir instrumentos, estamos tratando de um instrumento de oficina. Podemos verificar nas redes sociais uma discuss\u00e3o sem fim sobre a qualidade dos instrumentos&nbsp;<em>handmade&nbsp;<\/em>comparados aos instrumentos produzidos em CNC. Fato \u00e9 que, independente da ado\u00e7\u00e3o de uma equipe qualificada ou uma m\u00e1quina aut\u00f4noma, a garantia de qualidade n\u00e3o estar\u00e1 relacionada ao processo adotado, mas ao padr\u00e3o de qualidade e os processos de certifica\u00e7\u00e3o aplicados em cada etapa do processo estabelecidos pelo fabricante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vale destacar:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Grandes fabricantes possuem &#8220;linhas&#8221; denominadas como &#8220;<em>CustomShop<\/em>&#8220;, entre outros, com o intuito de &#8220;vender&#8221; a promessa de um instrumento constru\u00eddo com o &#8220;esp\u00edrito&#8221; de um instrumento de ateli\u00ea\/oficina. De fato, trata-se de setores da empresa com equipes qualificadas para atender um seleto grupo de clientes que podem, de certo modo, solicitar algumas customiza\u00e7\u00f5es. Grosso modo, \u00e9 o mesmo que afirmar que uma linha denominada &#8220;gourmet&#8221; de um grande frigor\u00edfico possui o mesmo padr\u00e3o de qualidade de um restaurante de alta gastronomia. Pode at\u00e9 possuir alto padr\u00e3o de fato, mas a sua qualidade estar\u00e1 intimamente ligada aos processos adotados (no caso de uma &#8220;linha gourmet&#8221;, quanto mais pr\u00f3ximo aos de um restaurante de alto padr\u00e3o, melhor) do que ao seu nome de batismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel ter instrumentos de oficina produzidos no formato OEM (produ\u00e7\u00e3o terceirizada), onde os instrumentos ser\u00e3o produzidos por um ateli\u00ea seguindo rigorosamente as instru\u00e7\u00f5es da pessoa respons\u00e1vel, que pode ser um mestre luthier ou representante de uma marca espec\u00edfica. Geralmente esta op\u00e7\u00e3o \u00e9 escolhida com o intuito de aumentar a presen\u00e7a de marca ou evitar investimentos em maquin\u00e1rio e recursos humanos. No Brasil existem muitos exemplos bem sucedidos de empresas que apostaram neste formato de neg\u00f3cio, em especial com instrumentos de cordas friccionadas (violinos, violas, cellos) constru\u00eddos por boas oficinas chinesas e, mais recentemente, a&nbsp;<em>Hertom Guitars&nbsp;<\/em>da ProShows, com instrumentos de alto padr\u00e3o produzidos na \u00c1sia e que conta com o suporte de renomados luthiers brasileiros, como Jo\u00e3o Cassias e Ivan Freitas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PONTOS POSITIVOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o padronizada:&nbsp;<\/strong>assim como os instrumentos de f\u00e1brica, todos os produtos fabricados seguem rigorosamente os padr\u00f5es estabelecidos pela dire\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, incorporada pela figura do mestre luthier, ou&nbsp;<em>masterbuilder<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Flexibilidade\/ Possibilidade de customiza\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;por serem produzidos em menor escala, muitas oficinas (as&nbsp;<em>customshops<\/em>) oferecem a clientes a possibilidade de encomendar instrumentos com configura\u00e7\u00f5es de acordo com o seu desejo pessoal, desde a escolha de acess\u00f3rios at\u00e9 a pintura do instrumento. Tamb\u00e9m \u00e9 comum encontrar&nbsp;<em>customshops&nbsp;<\/em>que desenvolvem projetos exclusivos para clientes, com contratos de exclusividade para o projeto espec\u00edfico, evitando assim que o mesmo seja replicado para outro cliente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controle de qualidade:<\/strong>&nbsp;como principal diferencial, as oficinas, via de regra, apostam em um controle de qualidade rigoroso em todas as etapas de fabrica\u00e7\u00e3o. Cada etapa do processo \u00e9 acompanhada pelo&nbsp;<em>masterbuilder&nbsp;<\/em>ou por um luthier encarregado por ele para desempenhar o controle de qualidade com o intuito de manter um padr\u00e3o elevado e evitar retrabalhos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Manuten\u00e7\u00e3o:&nbsp;&nbsp;<\/strong>assim como os instrumentos de f\u00e1brica, possuem processos de produ\u00e7\u00e3o simplificados e acess\u00f3rios que seguem medidas padronizadas do mercado. Fato, existem aquelas oficinas (<em>CustomShops<\/em>) que optam por seguir na contram\u00e3o, propondo solu\u00e7\u00f5es diferentes do mercado, mas s\u00e3o raros os casos que dificultam o trabalho de manuten\u00e7\u00e3o dos instrumentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PONTOS NEGATIVOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reconhecimento do grande p\u00fablico:<\/strong>&nbsp;diferente dos instrumentos de f\u00e1brica, instrumentos de oficina n\u00e3o s\u00e3o facilmente reconhec\u00edveis pelo grande p\u00fablico. Isso quer dizer que a maior parte do seu reconhecimento est\u00e1 relacionado a um mercado de nicho, o que pode resultar em dificuldades no momento da revenda dos instrumentos. \u00c9 fundamental ter consci\u00eancia de que se trata de um produto voltado ao mercado de nicho e saber muito bem qual \u00e9 o seu p\u00fablico consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acessibilidade:&nbsp;<\/strong>Instrumentos de oficina s\u00e3o raros de encontrar em lojas. S\u00e3o encontrados em lojas especializadas no com\u00e9rcio de instrumentos premium ou usados, assim como nos show rooms das pr\u00f3prias oficinas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para quem se destina?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Geralmente os instrumentos de oficina s\u00e3o buscados por m\u00fasicos que desejam um instrumento personalizado, seja em termos est\u00e9ticos ou caracter\u00edsticas sonoras. No Brasil, por uma caracter\u00edstica mercadol\u00f3gica e cultural do segmento guitarr\u00edstico, tamb\u00e9m s\u00e3o bastante procurados por m\u00fasicos que buscam uma alternativa a instrumentos de linhas &#8220;Premium&#8221; de marcas consagradas (<em>Deluxe<\/em>,&nbsp;<em>CustomShop&nbsp;<\/em>e afins).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o raramente s\u00e3o solicitadas especifica\u00e7\u00f5es de&nbsp;<em>hardware&nbsp;<\/em>id\u00eantico aos instrumentos &#8220;objeto de desejo&#8221; com op\u00e7\u00f5es de &#8220;madeiras alternativas&#8221; ao utilizado no modelo original. Tamb\u00e9m atendem muito bem m\u00fasicos amadores que desejam caracter\u00edsticas espec\u00edficas n\u00e3o encontradas em instrumentos de f\u00e1bricas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os m\u00fasicos eruditos e da m\u00fasica instrumental, os instrumentos de oficina geralmente s\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o com boa rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio e\/ou um passo anterior ao investimento de adquirir um instrumento de autor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>INSTRUMENTOS DE AUTOR<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este instrumento se difere em sua ess\u00eancia dos anteriores: se os instrumentos de f\u00e1brica e de oficina compartilham a filosofia de que &#8220;os fins justificam os meios&#8221; (seja com a ado\u00e7\u00e3o de mecanismos de produzir mais em menos tempo e\/ou adotando padr\u00f5es de qualidade e tecnologia para auxiliar no aumento da produ\u00e7\u00e3o sem perder o controle e precis\u00e3o dos processos), o instrumento de autor nasce da cren\u00e7a de que &#8220;os meios justificam os fins&#8221; e, por isso, s\u00e3o constru\u00eddos do in\u00edcio ao fim por um \u00fanico luthier. \u00c9 evidente que o instrumento pode ser regulado por outro luthier, receber acess\u00f3rios, entre outros servi\u00e7os por outro artes\u00e3o. No entanto, o aspecto construtivo \u00e9 realizado apenas por um \u00fanico artes\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por essa raz\u00e3o que estes instrumentos carregam caracter\u00edsticas singulares de cada construtor, sua assinatura art\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, \u00e9 importante n\u00e3o confundirmos instrumentos de autor com projetos autorais. Afinal, temos in\u00fameros exemplos de instrumentos com desenho autoral nascidos nas f\u00e1bricas, sendo o maior deles a guitarra Stratocaster da Fender. Basta ver uma strato, independente da marca que ostenta em seu headstock, que voc\u00ea ir\u00e1 se lembrar da marca original e de seu criador, Leo Fender. O fato dele ser &#8220;autor&#8221; do lend\u00e1rio design, o &#8220;empreendedor&#8221; Leo Fender nunca foi (e acredito que nunca teve a inten\u00e7\u00e3o de ser) um &#8220;luthier autor.&#8221; Tudo em seu projeto foi pensado para facilitar a produ\u00e7\u00e3o em larga escala, um dos grandes trunfos que explica o sucesso comercial da marca que a levou a se tornar uma das maiores refer\u00eancias na ind\u00fastria de instrumentos musicais mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo na contram\u00e3o de Leo Fender, um luthier autor trabalha sozinho. O objetivo n\u00e3o \u00e9 produzir mais para diminuir custos, nem mesmo investir em maquin\u00e1rio para auxili\u00e1-lo a &#8220;produzir de forma r\u00e1pida e precisa&#8221;. Pelo contr\u00e1rio, a precis\u00e3o \u00e9 aprimorada constantemente com a pr\u00e1tica de t\u00e9cnicas de entalhe. Em vez de seguir processos padronizados para garantir uma &#8220;qualidade padr\u00e3o&#8221;, o luthier autor faz uma leitura individualizada do lenho que ser\u00e1 utilizado, observando caracter\u00edsticas est\u00e9ticas da venatura, bem como suas caracter\u00edsticas de elasticidade e resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, cada instrumento exigir\u00e1 um processo diferente do outro, tornando o trabalho mais complexo e o resultado final \u00fanico, sempre focado em extrair todas as qualidades do material &#8211; que, via de regra, possui um rigor de sele\u00e7\u00e3o muito acima de instrumentos de oficina e de f\u00e1brica, pois o luthier autor, diferente dos fabricantes em escala, n\u00e3o possui poder de barganha na aquisi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima, o que torna menos atrativo trabalhar com madeiras de gradua\u00e7\u00e3o baixas e m\u00e9dias, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como &#8220;os meios justificam os fins&#8221;, os instrumentos de autor exigem elevado n\u00edvel t\u00e9cnico do artes\u00e3o, pois as ferramentas utilizadas, obrigatoriamente ser\u00e3o de ferramentas de controle manual, como facas de entalhe, form\u00f5es, goivas, grosas, serras, raspilhas, etc. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante que o artes\u00e3o tenha bom dom\u00ednio de organologia (saber a &#8220;hist\u00f3ria&#8221; da origem e evolu\u00e7\u00e3o dos instrumentos), das caracter\u00edsticas das principais Escolas de Luteria (guitarrerias espanholas, luteria cremonese, entre outras), al\u00e9m de saber princ\u00edpios da f\u00edsica (em especial ac\u00fastica), qu\u00edmica (prepara\u00e7\u00e3o de vernizes artesanais) e dendrologia (afinal, a principal mat\u00e9ria-prima \u00e9 o lenho e, para extrair o m\u00e1ximo do potencial da madeira \u00e9 fundamental reconhecer as caracter\u00edsticas higrosc\u00f3picas e o comportamento dos pol\u00edmeros naturais como lignina e n-celulose).<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos encontrar instrumentos de autor com projetos autorais, inspirados em uma escola de construtores espec\u00edfica, ou at\u00e9 mesmo c\u00f3pias, que exigem do artes\u00e3o extremo n\u00edvel t\u00e9cnico para replicar caracter\u00edsticas do autor original, bem como sensibilidade art\u00edstica para reproduzir detalhes est\u00e9ticos do instrumento, desde a colora\u00e7\u00e3o e formula\u00e7\u00e3o de vernizes at\u00e9 caracter\u00edsticas sutis da venatura e os desgastes naturais do instrumento original que ser\u00e3o reproduzidos fielmente. Uma das grandes refer\u00eancias que temos no mundo de c\u00f3pias \u00e9 o luthier Luiz Amorim &#8211; propriet\u00e1rio do Ateli\u00ea Amorim em Cremona, It\u00e1lia -, especialista na constru\u00e7\u00e3o de instrumentos Guarneri. As suas c\u00f3pias podem ser encontrados em torno de 50 mil euros.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra caracter\u00edstica dos instrumentos de autor \u00e9 que, como pe\u00e7as art\u00edsticas, seus pre\u00e7os variam de acordo com a reputa\u00e7\u00e3o do construtor, podendo ser encontrados com valores entre 2 mil euros, chegando at\u00e9 a algumas dezenas de milh\u00f5es de euros, como os instrumentos Stradivari. Deste modo, s\u00e3o os instrumentos mais valiosos de todos os grupos, justamente pela sua raridade (s\u00e3o poucas unidades constru\u00eddas por ano por um autor) devido ao processo de produ\u00e7\u00e3o lento. Afinal, s\u00e3o esculpidos &#8220;na faca&#8221;, literalmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PONTOS POSITIVOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Valor art\u00edstico:<\/strong>&nbsp;todos os instrumentos constru\u00eddos por artes\u00e3os que escolheram o caminho do processo artesanal possuem valores art\u00edsticos imensur\u00e1veis e s\u00e3o reflexo do emaranhado cultural que os rodeiam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Flexibilidade\/ Possibilidade de customiza\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Por serem produzidos um a um e por levar em considera\u00e7\u00e3o as caracter\u00edsticas f\u00edsic0-est\u00e9ticas e mec\u00e2nicas de cada lenho utilizado, bem como compreender as necessidades do m\u00fasico que encomenda a pe\u00e7a, os instrumentos constru\u00eddos j\u00e1 possuem caracter\u00edsticas de personaliza\u00e7\u00e3o em todas as etapas do processo construtivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controle de qualidade:<\/strong>&nbsp;por ser constru\u00eddo por um \u00fanico artes\u00e3o, os instrumentos n\u00e3o correm o risco de falhas na programa\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo &#8220;ru\u00eddos&#8221; na comunica\u00e7\u00e3o com um assistente luthier que compreendeu errado o que foi solicitado. A responsabilidade dos erros e acertos est\u00e3o nas m\u00e3os apenas do artes\u00e3o, o que anula qualquer interpreta\u00e7\u00e3o equivocada durante o processo, pois n\u00e3o h\u00e1 intermedi\u00e1rios no processo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PONTOS NEGATIVOS<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tempo de espera:<\/strong>&nbsp;instrumentos de autor s\u00e3o produzidos do in\u00edcio ao fim por um \u00fanico artes\u00e3o. Isso quer dizer que, inevitavelmente, caso tenha o interesse em adquirir instrumentos de renomados luthiers, ter\u00e1 que entrar numa fila de espera para encomend\u00e1-lo. Isso porque a quantidade de instrumentos constru\u00eddos por ano \u00e9 muito pequena se comparada \u00e0 quantidade produzida mensalmente por uma oficina ou f\u00e1brica. Um violino demora, em m\u00e9dia, 4 meses para ser constru\u00eddo por um artes\u00e3o. Instrumentos menos complexos, como o viol\u00e3o ou viola caipira, em torno de um m\u00eas. Com o intuito de tornar justa a espera, muitos artes\u00e3o organizam filas de espera em que os interessados em encomendar um instrumento futuramente deixam os seus nomes e contatos para que sejam avisados quando abrir\u00e1 uma nova &#8220;vaga&#8221; para a constru\u00e7\u00e3o de um novo instrumento. Confirmando o interesse e acertados os valores, o artes\u00e3o inicia a constru\u00e7\u00e3o. O tempo de espera pode variar de 6 meses a 10 anos, dependendo da popularidade e da capacidade produtiva do luthier.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Custo elevado:&nbsp;<\/strong>artes\u00e3os produzem muito menos que f\u00e1bricas e oficinas. Isso quer dizer que n\u00e3o possuem nenhum poder de barganha com fornecedores, o que for\u00e7a os luthiers dedicados a instrumentos de autor a selecionar muito bem a mat\u00e9ria-prima a ser utilizada (haja vista que o valor pago ser\u00e1 muito mais caro, o que tamb\u00e9m faz com que os fornecedores privilegiem e separem as melhores pe\u00e7as para as ofertas destinadas aos artes\u00e3os) levando no mais alto grau aspectos est\u00e9ticos, de resist\u00eancia e resposta sonora. Se a mat\u00e9ria-prima \u00e9 mais cara, inevitavelmente o custo final ser\u00e1 maior quando comparado diretamente aos valores praticados por f\u00e1bricas e oficinas. No entanto, outro fator acaba elevando ainda mais o valor dos instrumentos de autor: o seu valor art\u00edstico! Dependendo da assinatura que o instrumento carrega, o instrumento pode saltar de alguns milhares de reais para algumas dezenas de milh\u00f5es de euros rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Manuten\u00e7\u00e3o:&nbsp;<\/strong>por serem instrumentos artesanais &#8220;de verdade&#8221;, s\u00e3o mais dif\u00edceis de realizar manuten\u00e7\u00e3o, exigindo qualifica\u00e7\u00e3o do profissional que executar\u00e1 o servi\u00e7o. O processo de constru\u00e7\u00e3o de autor \u00e9 mais complexa quando comparado aos de instrumentos de oficina e de f\u00e1brica. O acabamento, via de regra, \u00e9 realizado com vernizes confeccionados com ingredientes naturais, sejam eles produzidos pelo pr\u00f3prio artes\u00e3o ou adquiridos por fabricantes artesanais de vernizes. Frequentemente s\u00e3o utilizados vernizes com base a \u00e1lcool, a \u00f3leo ou mista, utilizando uma infinidade de resinas, o que exigir\u00e1 muita experi\u00eancia do luthier respons\u00e1vel para identific\u00e1-los. N\u00e3o \u00e9 raro um reparador inexperiente danificar a pintura de instrumentos de autor em goma laca num simples h\u00e1bito de passar um pano com \u00e1lcool numa parte do instrumento, por exemplo. \u00c9 por essa raz\u00e3o que \u00e9 exigida na It\u00e1lia forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para reparadores atuarem profissionalmente. Se voc\u00ea n\u00e3o vive na It\u00e1lia e possui um instrumento de autor, pesquise bem a reputa\u00e7\u00e3o do reparador que ser\u00e1 o respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o do seu instrumento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para quem \u00e9 destinado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O perfil de quem adquire instrumentos de autor \u00e9, em sua maioria, m\u00fasicos que possuem um trabalho art\u00edstico e produzem um som &#8220;org\u00e2nico&#8221;. Possuem alto n\u00edvel t\u00e9cnico e\/ou s\u00e3o extremamente exigentes com aspectos est\u00e9ticos sonoros. Podemos citar Fabio Zanon, Emanuelle Baldini, Alessandro Penezzi, David Garrett, Duo Siqueira Lima, Al Di Meola, Ricardo Herz, Andre Segovia, Pablo Sainz Villegas, Yamandu Costa, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VOLTANDO AO &#8220;CASO&#8221; HERTOM GUITARS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o dos termos, fica claro que a discuss\u00e3o nas redes surgiu pela ignor\u00e2ncia (no sentido stricto da palavra). Afinal,<\/p>\n\n\n\n<p>todas as cr\u00edticas ignoraram o fato da marca estar vinculada a ProShows, uma das principais empresas brasileiras do setor de instrumentos musicais, \u00e1udio e acess\u00f3rios. Tamb\u00e9m \u00e9 importante levar em considera\u00e7\u00e3o que quem assina o desenvolvimento t\u00e9cnico dos produtos Hertom s\u00e3o Jo\u00e3o Cassias e Ivan Freitas, dois luthiers brasileiros reconhecidos pelo trabalho excepcional que desempenham com suas respectivas marcas (Cassias e Music Maker). Ou seja, a Hertom Guitars tem tudo para entregar a promessa de alto padr\u00e3o que est\u00e3o apresentando.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, outro fato ignorado nesta discuss\u00e3o \u00e9 de que TODOS os instrumentos constru\u00eddos, sejam eles &#8220;de marca&#8221; ou n\u00e3o, foram feitos por luthiers. Isso significa que todos eles, independentemente qual seja o modelo do processo de fabrica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o &#8220;de luthier&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrando, o que originou a enxurrada de cr\u00edticas foi o fato de utilizarem um termo ligado a um modelo\/processo de produ\u00e7\u00e3o (<em>custom shop)<\/em>&nbsp;como se fosse um &#8220;padr\u00e3o de qualidade&#8221; de produto.<\/p>\n\n\n\n<p>Se houver a possibilidade de os produtos serem customizados pelos consumidores da Hertom Guitars, como a consagrada linha&nbsp;<em>CustomShop&nbsp;<\/em>da Fender faz, qualquer cr\u00edtica a respeito de que &#8220;n\u00e3o se trata de uma&nbsp;<em>Custom Shop<\/em>&nbsp;de verdade&#8221;, cai por terra. Em suma, boa parte das cr\u00edticas s\u00e3o: por medo de algo novo; por &#8220;imprecis\u00f5es&#8221; apresentadas pela imprensa; e\/ou falta de conhecimento por parte do p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m que, infelizmente, o Brasil possui in\u00fameros desafios em \u00e1reas como educa\u00e7\u00e3o, cultura e tamb\u00e9m com a qualifica\u00e7\u00e3o em diversos setores da economia, incluindo tamb\u00e9m o setor musical. N\u00e3o estamos acostumados com a valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho (em especial de servi\u00e7os), temos dificuldade em perceber o valor das coisas, diferenciar produtos e bens de consumo. Isso fica muito evidente quando revisitamos alguns fatos hist\u00f3ricos, como o de nosso pa\u00eds ter sido um dos \u00faltimos a abolir a escravid\u00e3o, bem como ter um processo de industrializa\u00e7\u00e3o tardio; isso sem contar a abertura comercial com a redu\u00e7\u00e3o das tarifas de importa\u00e7\u00e3o e reformula\u00e7\u00e3o dos incentivos fiscais nos anos de 1990 que tornaram poss\u00edvel a entrada das marcas estrangeiras por aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante deixar registrado que a fabrica\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais no Brasil foi bastante impactada com o fen\u00f4meno da &#8220;abertura dos portos&#8221;&nbsp; na d\u00e9cada de 90. Muitas fabricantes locais fecharam suas portas e os empreendedores tiveram que avaliar profundamente a forma como lidavam com o neg\u00f3cio e, principalmente, a qualidade de seus produtos &#8211; muito aqu\u00e9m dos instrumentos chineses de baixo custo na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, \u00e9 f\u00e1cil compreender os motivos do consumidor brasileiro de instrumentos musicais, de forma geral, ter dificuldade em conhecer- e reconhecer, nomear e diferenciar produtos de acordo com o processo &#8211; n\u00e3o raramente confundindo a natureza de &#8220;processo&#8221; com &#8220;padr\u00e3o de qualidade&#8221;, mas este \u00e9 um outro tema que poderemos tratar em outra oportunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Fica registrado tamb\u00e9m que n\u00e3o podemos generalizar, de modo algum. Afinal, m\u00fasicos &#8211; e boa parte de entusiastas &#8211; de instrumentos ac\u00fasticos, sejam eles populares ou eruditos, de cordas dedilhadas ou friccionadas, ou at\u00e9 mesmo de sopro (madeiras ou metais), j\u00e1 est\u00e3o acostumados com os termos que iremos apresentar a seguir. Possivelmente pelo motivo de muitos deste p\u00fablico terem facilidade de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o formal, infelizmente distantes da grande maioria dos m\u00fasicos e profissionais do setor brasileiro que, em sua grande maioria, possuem forma\u00e7\u00e3o autodidata ou, na melhor das hip\u00f3teses, alicer\u00e7ada em cursos livres.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O PROCESSO DE PRODU\u00c7\u00c3O COMO ESCOLHA DE UMA VIS\u00c3O DE MUNDO:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, quando conhecemos as denomina\u00e7\u00f5es de instrumentos de acordo com o processo de produ\u00e7\u00e3o, podemos constatar que a escolha do modelo de neg\u00f3cio est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 filosofia de quem \u00e9 o respons\u00e1vel pela atividade econ\u00f4mica de construir instrumentos musicais, suas cren\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Se enxerga a atividade como manifesta\u00e7\u00e3o de sua arte, ir\u00e1 seguir o caminho solit\u00e1rio de autor, construindo artesanalmente os seus instrumentos. Se o que norteia o empreendedor \u00e9 a busca incessante pela qualidade e pela padroniza\u00e7\u00e3o de seus instrumentos, a oficina (ateliers, workshops,&nbsp;<em>custom shops<\/em>) ser\u00e1 a escolha do modelo de neg\u00f3cio. Se o desejo \u00e9 de expans\u00e3o constante, de conquistar cada vez mais mercados, ter uma estrat\u00e9gia de reconhecimento de marca e maximizar lucros, certamente o modelo ser\u00e1 de produ\u00e7\u00e3o em larga escala, de f\u00e1brica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os modelos de neg\u00f3cio e processos de fabrica\u00e7\u00e3o teremos instrumentos excepcionais, bem como instrumentos ruins, dentro das caracter\u00edsticas de cada um, \u00e9 claro.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o entre um instrumento de autor, de oficina ou de f\u00e1brica n\u00e3o est\u00e1 relacionada apenas ao padr\u00e3o de qualidade, mas ao perfil de consumo e grau de exig\u00eancia de quem adquire aquele instrumento. N\u00e3o \u00e9 apenas sobre especifica\u00e7\u00e3o de produto. Nunca foi.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembra a decis\u00e3o entre realizar as compras de alimentos e itens para o lar em pequenos neg\u00f3cios locais ou em grandes redes de mercados, ou predile\u00e7\u00e3o por determinadas marcas pelo que significam em sua vida (realiza\u00e7\u00e3o pessoal, confian\u00e7a ou uma lembran\u00e7a afetiva, por exemplo).<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe ao consumidor decidir qual processo est\u00e1 mais alinhado com a sua m\u00fasica e com a sua filosofia de vida.&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhecendo os termos t\u00e9cnicos para evitar as &#8220;imprecis\u00f5es&#8221; cada vez mais frequentes em denominar instrumentos de alto padr\u00e3o no Brasil Nos \u00faltimos anos, encontramos in\u00fameras mensagens em redes sociais de m\u00fasicos e entusiastas &#8211; em sua grande maioria, guitarristas &#8211; com d\u00favidas sobre adquirir um instrumento &#8220;de marca&#8221; ou um instrumento &#8220;de luthier&#8221;. 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