{"id":415,"date":"2025-06-30T23:28:02","date_gmt":"2025-07-01T02:28:02","guid":{"rendered":"https:\/\/delaetmusic.com\/?p=415"},"modified":"2026-03-28T08:48:43","modified_gmt":"2026-03-28T11:48:43","slug":"a-luteria-brasileira-sua-evolucao-historica-e-os-desafios-mercadologicos-pos-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/a-luteria-brasileira-sua-evolucao-historica-e-os-desafios-mercadologicos-pos-pandemia\/","title":{"rendered":"A Luteria Brasileira: sua evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e os desafios mercadol\u00f3gicos p\u00f3s-pandemia."},"content":{"rendered":"\n<p><strong>RESUMO:<\/strong>&nbsp;Este artigo, fragmento atualizado do meu trabalho de conclus\u00e3o de curso em Gest\u00e3o Empresarial na FATEC-SCS \u201cAntonio Russo\u201d, busca apresentar fatos hist\u00f3ricos importantes para o desenvolvimento da luteria e da ind\u00fastria de instrumentos musicais no Brasil, assim como dados econ\u00f4micos e dos seus principais personagens, levando em considera\u00e7\u00e3o os impactos do per\u00edodo da pandemia. Uma reflex\u00e3o baseada nos trabalhos de Mitsuru Yanaze e Grant McCracken auxiliam na compreens\u00e3o de como os produtos da ind\u00fastria criativa podem se tornar economicamente vi\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group alignfull is-style-ext-preset--group--natural-1--section has-background-background-color has-background has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-e955bbaf wp-block-group-is-layout-constrained\" style=\"margin-top:0;margin-bottom:0;padding-top:var(--wp--preset--spacing--70);padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--70)\">\n<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Luteria \u00e9\u202fum termo que se refere \u00e0 palavra&nbsp;<em>luth<\/em>, de origem francesa,\u202fque\u202fsignifica\u202fala\u00fade, um instrumento de cordas muito popular durante a Idade M\u00e9dia.\u202fAssim,\u202fluthier\u202fera o artes\u00e3o que constru\u00eda ala\u00fades. Com o passar dos anos \u2013 e a evolu\u00e7\u00e3o dos instrumentos &#8211; houve o decl\u00ednio pela procura do ala\u00fade, e os luthiers passaram a construir outros instrumentos musicais, como as\u202f<em>vihuelas<\/em>, os viol\u00f5es, os violinos, e, mais recentemente, os instrumentos el\u00e9tricos como guitarras, baixos e at\u00e9 mesmo violinos el\u00e9tricos.\u202fO\u202ftermo\u202fluteria, apesar da praticamente extin\u00e7\u00e3o do ala\u00fade, resistiu e come\u00e7ou a\u202fdesignar\u202f\u2013 de forma gen\u00e9rica -\u202fa arte de produzir instrumentos musicais, em especial os\u202finstrumentos de corda feitos em madeira.\u202fN\u00e3o raramente o termo tamb\u00e9m \u00e9 utilizado, de forma imprecisa, para designar tamb\u00e9m reparadores de instrumentos musicais, o que estende o seu uso coloquial &#8211; que tamb\u00e9m utiliza &#8220;luthieria&#8221; como variante do termo formal &#8220;luteria&#8221; &#8211;&nbsp; para designar todo profissional que trabalha na fabrica\u00e7\u00e3o ou repara\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais de cordas.\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u202fA hist\u00f3ria da fabrica\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais em territ\u00f3rio brasileiro, caso sejam considerados os instrumentos de rituais ind\u00edgenas, remete a tempos imemoriais, como pode ser constatado nos relatos sobre a Trombeta Jurupari.\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, existem registros de instrumentos musicais utilizados na evangeliza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios nos primeiros anos de coloniza\u00e7\u00e3o sendo produzidos com o intuito de replicar os instrumentos europeus, originando a viola branca e a rabeca, por exemplo. A tradi\u00e7\u00e3o de produzir os referidos instrumentos continua em manifesta\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas como o fandango cai\u00e7ara. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, quando se trata da atividade econ\u00f4mica, \u00e9 for\u00e7oso dizer que a luteria brasileira iniciou no final do s\u00e9culo XIX, em especial com os imigrantes italianos que desembarcavam no pa\u00eds, onde a \u201cprogressiva aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, antes mesmo de se consumar, com a lei \u00c1urea, em\u202f1888,\u202fcriava\u202fa necessidade de bra\u00e7os para o trabalho, em especial na lavoura\u201d (WERNECK, 2008). &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Num primeiro momento, estes imigrantes ocuparam a regi\u00e3o sul do pa\u00eds e, logo em seguida,\u202fcome\u00e7aram a povoar a regi\u00e3o paulista, cuja economia vivia um momento de expans\u00e3o devido a agricultura do interior que vivia um grande momento com a produ\u00e7\u00e3o do caf\u00e9, bem como o processo de industrializa\u00e7\u00e3o da capital que estava em ritmo acelerado, o que justifica o apelido que, futuramente, receberia de \u201clocomotiva do pa\u00eds\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Werneck informa que em 1900, mesmo ano de funda\u00e7\u00e3o da reconhecida f\u00e1brica de instrumentos musicais Giannini em S\u00e3o Paulo, o n\u00famero de italianos residentes no Estado era\u202fcalculado em 800 mil. Um dado apresentado pelo referido autor nos ajuda a dimensionar a contribui\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra imigrante no in\u00edcio do s\u00e9culo XX: em 1901, 90% dos empregados nas f\u00e1bricas da capital paulista eram italianos. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, a ind\u00fastria brasileira de instrumentos musicais surgiu neste momento promissor.\u202fTranquillo\u202fGiannini, nascido em 1876, chegou ao Brasil em 1890.\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00e3o se pode afirmar se, ainda adolescente, j\u00e1 se havia iniciado no ramo da luteria. O que se conta \u00e9 que era dotado de grande habilidade no trato com a madeira, sendo capaz de fabricar tanto m\u00f3veis como pe\u00e7as mais complexas, carros aleg\u00f3ricos, por exemplo. &nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Um dia lhe apareceu um m\u00fasico pedindo que consertasse o seu viol\u00e3o. \u00b4Se eu fizer um viol\u00e3o vai ser melhor do que este\u00b4, gabou-se\u202fTranquillo. \u00b4Pois eu\u202fduvido!\u00b4, rebateu o outro. O desafio, h\u00e1 quem diga, \u00e9 que teria precipitado o jovem imigrante em seu of\u00edcio de luthier. P\u00f4s-se a fazer viol\u00f5es cada vez mais elogiados, at\u00e9 que a demanda crescente o levou a criar, em 1900, a f\u00e1brica de instrumentos de corda que tem seu sobrenome e que, mais de um s\u00e9culo depois, segue em atividade.&nbsp;<\/em>(WERNECK, 2008)\u202f&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"852\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaetmusic.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/joaogilbertomarcoshermes-1920w-852x1024.webp?resize=852%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-416\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/joaogilbertomarcoshermes-1920w.webp?resize=852%2C1024&amp;ssl=1 852w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/joaogilbertomarcoshermes-1920w.webp?resize=250%2C300&amp;ssl=1 250w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/joaogilbertomarcoshermes-1920w.webp?resize=768%2C923&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/joaogilbertomarcoshermes-1920w.webp?resize=10%2C12&amp;ssl=1 10w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/joaogilbertomarcoshermes-1920w.webp?resize=600%2C721&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/joaogilbertomarcoshermes-1920w.webp?w=984&amp;ssl=1 984w\" sizes=\"auto, (max-width: 852px) 100vw, 852px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jo\u00e3o Gilberto com seu viol\u00e3o Di Giorgio em show de 2008 &#8211; Foto: Marcos Hermes \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p>Curiosamente foi nesta f\u00e1brica fundada por\u202fTranquillo\u202fque Romeu Di Giorgio, outro importante nome da ind\u00fastria de instrumentos musicais do pa\u00eds, iniciou sua carreira de luthier. Anos depois de seu in\u00edcio na Giannini, Romeu deixa a empresa porque seu sonho era produzir \u201cviol\u00f5es finos, para concertistas\u201d, o que fugia dos objetivos da f\u00e1brica de\u202fTranquillo, na \u00e9poca voltada para a produ\u00e7\u00e3o de viol\u00f5es populares.\u202fUm dado interessante \u00e9 que o primeiro instrumento de Di Giorgio conhecido &#8211; o qual pertenceu ao instrumentista Canhoto, uma refer\u00eancia do viol\u00e3o brasileiro &#8211; foi constru\u00eddo dentro da f\u00e1brica de Giannini.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A marca Di Giorgio ganhou notoriedade, em especial nos anos dourados da Bossa Nova, onde boa parte dos m\u00fasicos utilizavam os seus instrumentos, em especial Jo\u00e3o Gilberto que endossava a qualidade dos viol\u00f5es de Romeu, como podemos constatar em suas apresenta\u00e7\u00f5es, fotos e v\u00eddeos produzidos durante sua carreira, onde sempre estava acompanhado de um modelo T\u00e1rrega produzido pela fabricante paulista (Fig. 1). &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro not\u00f3rio luthier de origem italiana que ajudou a iniciar a luteria no pa\u00eds foi\u202fAngelo\u202fDel Vecchio, que em 1900 recebeu como presente de n\u00fapcias uma viagem ao Brasil e\u202fresolveu ficar. Ele j\u00e1 exercia a fun\u00e7\u00e3o de luthier na It\u00e1lia e manteve o seu of\u00edcio fundando a f\u00e1brica e loja de instrumentos musicais no Largo Riachuelo em S\u00e3o Paulo.\u202f&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"480\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaetmusic.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/RVIGNINI-foto-Marcelo-Macaue-1-320x480-1920w.webp?resize=320%2C480&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-417\" style=\"width:671px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/RVIGNINI-foto-Marcelo-Macaue-1-320x480-1920w.webp?w=320&amp;ssl=1 320w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/RVIGNINI-foto-Marcelo-Macaue-1-320x480-1920w.webp?resize=200%2C300&amp;ssl=1 200w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/RVIGNINI-foto-Marcelo-Macaue-1-320x480-1920w.webp?resize=8%2C12&amp;ssl=1 8w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ricardo Vignini com sua viola din\u00e2mica Del Vecchio. Foto: Marcelo Macaue<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p>Del Vecchio era inovador. Inventou in\u00fameros modelos de viol\u00f5es que foram patenteados, dentre eles o viol\u00e3o e a viola din\u00e2mica que continua conquistando m\u00fasicos at\u00e9 hoje. Podemos destacar um \u00e1lbum de Ricardo\u202fVignini (Fig.2), um dos principais nomes da viola brasileira contempor\u00e2nea, dedicado totalmente \u00e0 viola din\u00e2mica criada por Del Vecchio.\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante boa parte do s\u00e9culo XX, as principais escolas de luteria do pa\u00eds eram as tr\u00eas f\u00e1bricas: Giannini, Di Giorgio e Del Vecchio. Delas surgiram grandes nomes da luteria brasileira, como os irm\u00e3os Saraiva,\u202fAntonio\u202fTessarin,\u202fSuguyama, entre outros. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1980 foi criado o primeiro curso oficial de luteria no Conservat\u00f3rio de Tatu\u00ed, com aulas ministradas por dois professores, o italiano Enzo\u202fBertelli\u202fe seu filho, Luigi\u202fBertelli, tendo como refer\u00eancia a Escola de Cremona.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1983, segundo o professor Vlamir Devanei Ramos, professor da respeitada institui\u00e7\u00e3o de ensino brasileira, o Conservat\u00f3rio solicitou ao IPT (Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas) do Estado de S\u00e3o Paulo, o desenvolvimento de um estudo das madeiras brasileiras em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0s madeiras europeias tradicionais utilizadas na fabrica\u00e7\u00e3o de violinos que vem sendo um importante referencial te\u00f3rico de muitos pesquisadores e luthiers brasileiros que dissertam sobre o tema. No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI foi criado o curso de gradua\u00e7\u00e3o em luteria pela Universidade Federal do Paran\u00e1, o que sugere um avan\u00e7o na qualifica\u00e7\u00e3o dos profissionais do segmento durante os \u00faltimos anos no pa\u00eds.\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O NEG\u00d3CIO DE FABRICAR INSTRUMENTOS MUSICAIS<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade de comercializa\u00e7\u00e3o e fabrica\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais artesanais fazem parte da ind\u00fastria da economia criativa, o conjunto de neg\u00f3cios baseados no capital intelectual e cultural e na criatividade que gera valor econ\u00f4mico. Segundo o Mapeamento da Ind\u00fastria Criativa no Brasil, o setor gerou uma riqueza de R$ 393,3 bilh\u00f5es para a economia brasileira em 2023. Nesta ocasi\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria criativa foi de 3,59% no PIB brasileiro, quando a ind\u00fastria criativa era composta por mais de 1,26 milh\u00e3o de profissionais formais. No entanto, \u00e9 importante destacarmos que o setor ainda enfrenta resist\u00eancia para a formaliza\u00e7\u00e3o, possuindo muitos trabalhadores informais atuando no segmento, o que prejudica no levantamento do real tamanho da contribui\u00e7\u00e3o para a economia e o potencial de desenvolvimento dos neg\u00f3cios criativos, bem como os modelos utilizados pelos empreendedores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Economia criativa \u00e9 ainda um conceito em evolu\u00e7\u00e3o, pois, apesar de ter \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com a cultura e os bens culturais, se distingue da economia da cultura. Tem grande rela\u00e7\u00e3o com aspectos econ\u00f4micos, culturais e sociais, os quais interagem com a tecnologia e propriedade intelectual em uma mesma dimens\u00e3o, podendo se expandir para \u00e1reas como o turismo e o esporte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Howkins (2001) afirma que a economia criativa est\u00e1 alicer\u00e7ada sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a criatividade, o simb\u00f3lico e a economia. Assim, podemos considerar que se trata de um conjunto de atividades econ\u00f4micas que dependem de um conte\u00fado simb\u00f3lico &#8211; nele inclu\u00eddo a criatividade como fator mais expressivo para a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"521\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaetmusic.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/graficoluthiers-1920w-1024x521.webp?resize=1024%2C521&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-418\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/graficoluthiers-1920w.webp?resize=1024%2C521&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/graficoluthiers-1920w.webp?resize=300%2C153&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/graficoluthiers-1920w.webp?resize=768%2C391&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/graficoluthiers-1920w.webp?resize=18%2C9&amp;ssl=1 18w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/graficoluthiers-1920w.webp?resize=600%2C306&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/graficoluthiers-1920w.webp?w=1300&amp;ssl=1 1300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O LUTHIER BRASILEIRO DURANTE A PANDEMIA<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o intuito de compreender melhor o perfil dos profissionais do setor da luteria e a falta de referencial bibliogr\u00e1fico, realizamos 32 entrevistas com luthiers que atuam em diversas regi\u00f5es do pa\u00eds sobre forma\u00e7\u00e3o, formaliza\u00e7\u00e3o da atividade, precifica\u00e7\u00e3o de produtos e servi\u00e7os, produtividade e desafios diante do per\u00edodo de pandemia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O segmento, como reflexo da ind\u00fastria criativa como um todo, sofre bastante resist\u00eancia para a formaliza\u00e7\u00e3o, o que foi comprovado com um n\u00famero bastante significativo de artes\u00e3os informais (34,4%). A nossa amostragem tamb\u00e9m indica que uma pequena parcela atua como colaborador de f\u00e1bricas e lojas (3,1%), mas a maioria dos luthiers (59,4%) atuam como MEIs (microempreendedores individuais). Segundo eles, \u00e9 uma forma de garantir benef\u00edcios como contribuir para a previd\u00eancia, ter menores custos com impostos e contabilidade, facilidade na aquisi\u00e7\u00e3o de insumos, ferramental e componentes com fornecedores, bem como a possibilidade de emitir nota fiscal, bastante exigida em servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o terceirizados para lojas e escolas de m\u00fasica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um ponto que merece bastante aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a falta de forma\u00e7\u00e3o regular espec\u00edfica para a grande maioria dos luthiers brasileiros. Apenas 12,5% dos entrevistados estudaram formalmente luteria. No entanto, para cerca de 46,9% deles um diploma ou certificado de um curso formal em luteria \u00e9 considerado muito importante, sendo considerado irrelevante por apenas 15,6% dos entrevistados (Fig. 3), o que sugere a car\u00eancia na oferta de cursos profissionalizantes no setor, algo que poderia melhorar a qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra na fabrica\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais brasileiros e garantir maior competitividade e valor agregado ao produto nacional.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p>Quando comparamos a realidade do mercado brasileiro com o italiano, onde o estudo formal \u00e9 obrigat\u00f3rio para quem deseja atuar profissionalmente no segmento da luteria, seja na constru\u00e7\u00e3o ou no restauro de instrumentos musicais, fica evidente os motivos do abismo que separa os dois.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com ticket m\u00e9dio de 25 mil euros e um volume de exporta\u00e7\u00e3o de quase 7 mil violinos de alto padr\u00e3o por ano, o pa\u00eds europeu \u00e9 a grande refer\u00eancia no mundo. No Brasil temos um ticket m\u00e9dio de R$ 8 mil reais para os instrumentos produzidos pelos artes\u00e3os brasileiros e uma t\u00edmida participa\u00e7\u00e3o no mercado internacional como um todo. O ticket m\u00e9dio cai ainda mais quando s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o os instrumentos de cordas dedilhadas, segmento em que a grande maioria dos luthiers autodidatas brasileiros atuam e que levam em extrema considera\u00e7\u00e3o o poder de compra do m\u00fasico brasileiro. Destaque para os fabricantes de violas caipiras, com ticket m\u00e9dio de R$ 2.5 mil, e o de guitarras, onde a m\u00e9dia de pre\u00e7o fica em torno de R$ 5 mil. Ali\u00e1s, este \u00e9 um dos destaques cr\u00edticos apontados pela pesquisa: boa parte dos entrevistados que produzem instrumentos de cordas dedilhadas informam que, para precificarem, cobram \u201co valor do material mais m\u00e3o de obra\u201d, o que inviabiliza a sa\u00fade de qualquer neg\u00f3cio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os custos fixos como energia, \u00e1gua, telefone, manuten\u00e7\u00e3o de maquin\u00e1rio e ferramentas, impostos, entre outros, bem como os custos vari\u00e1veis n\u00e3o s\u00e3o contabilizados, o que sugere a dificuldade em precificar de forma saud\u00e1vel os pre\u00e7os. Um dos entrevistados, ao ser questionado sobre a m\u00e9dia de pre\u00e7o de seus instrumentos, respondeu que custam \u201c800 reais, e est\u00e1 200 mais baixo do que gostaria de ganhar pelo trabalho dispendido\u201d. Isto reflete na fragilidade econ\u00f4mica da maior parte dos artes\u00e3os que atuam de maneira informal no segmento e que, de certo modo, acabam gerando muita confus\u00e3o na mente do consumidor de instrumentos musicais \u201cde luthier\u201d, como s\u00e3o chamados por muitos m\u00fasicos no Brasil, sejam eles de autor ou de oficina, e que trataremos adiante. A m\u00e9dia de produ\u00e7\u00e3o do luthier brasileiro \u00e9 de dez instrumentos por ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, vale destacar que cerca de 28,1% dos entrevistados \u2013 que trabalham com pre\u00e7os acima do ticket m\u00e9dio, em torno de R$ 20 mil e, via de regra, s\u00e3o de instrumentos voltados ao segmento de m\u00fasica erudita, como os instrumentos de cordas friccionadas (violinos, violas e cellos) e viol\u00f5es com cordas de n\u00e1ilon &#8211; j\u00e1 tiveram experi\u00eancia em oferecer seus produtos para outros pa\u00edses, o que indica uma mudan\u00e7a de comportamento do luthier brasileiro, que \u00e9 focado em atender o mercado dom\u00e9stico, muitas vezes com produtos a pre\u00e7os competitivos para disputar mercado com instrumentos de f\u00e1brica ou de oficina importados. Al\u00e9m disso, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real diante das moedas estrangeiras garante competitividade ao instrumento musical brasileiro, especialmente os de cordas friccionadas, onde um violino de US$ 3 mil \u00e9 considerado um instrumento profissional de entrada, por exemplo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra caracter\u00edstica interessante da luteria \u00e9 que, para cerca de 19% dos artes\u00e3os ouvidos, a atividade \u00e9 encarada como um hobby, a exemplo do que podemos encontrar no artesanato ou bricolagem, sendo que os hobbistas possuem uma \u00edntima afinidade com atividades musicais e habilidades manuais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, por n\u00e3o ser uma atividade regulamentada, o termo \u00e9 utilizado para designar tanto quem realiza manuten\u00e7\u00e3o quanto quem fabrica um instrumento musical. Apenas 6,2% dos luthiers atuavam exclusivamente na fabrica\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais durante o per\u00edodo marcado pela pandemia. Para 68,8% existia a necessidade de, al\u00e9m de fabricarem os seus instrumentos musicais, complementar o faturamento realizando servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o e restauro dos instrumentos. J\u00e1 os 25% restantes estavam trabalhando exclusivamente com manuten\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais, especialmente instrumentos de cordas dedilhadas como viol\u00f5es, violas caipiras, cavaquinhos, guitarras e baixos el\u00e9tricos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os anos de 2020 e 2021 foram marcados pela pandemia do v\u00edrus Covid-19, afetando negativamente muitos mercados. Apesar da ind\u00fastria da economia criativa mundial n\u00e3o ter sido t\u00e3o afetada, os luthiers brasileiros sentiram o momento fr\u00e1gil da economia dom\u00e9stica, levando 59,4% dos entrevistados a afirmar que a pandemia afetou negativamente o seu neg\u00f3cio, for\u00e7ando alguns a deixarem de produzir e a se dedicarem a outras atividades, como a manuten\u00e7\u00e3o e restauro de instrumentos musicais ou outra forma de complementar a renda. Muitos encontraram no aux\u00edlio emergencial uma maneira de atenuar os efeitos da crise.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dado interessante foi o surgimento de \u201cnovos luthiers\u201d nos \u00faltimos anos marcados pela crise econ\u00f4mica. Cerca de 15% dos entrevistados encontraram nos servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais uma alternativa para complementar a renda afetada. A maioria destes profissionais \u00e9 formada por m\u00fasicos e assistentes de palco, roadies, entre outras atividades do show business, setor da economia criativa que, por promoverem o aglomeramento de pessoas, tiveram suas a\u00e7\u00f5es paralisadas por completo em muitos per\u00edodos dos anos de 2020 e 2021 devido ao risco de contamina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AS GRANDES FABRICANTES DURANTE A PANDEMIA<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Produtos e servi\u00e7os da ind\u00fastria criativa t\u00eam elasticidade-renda elevada, e mesmo durante a crise gerada pela pandemia, seu com\u00e9rcio mundial n\u00e3o foi afetado negativamente como outros setores (como o j\u00e1 citado show business).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um caso espec\u00edfico que pode ajudar a ilustrar o fen\u00f4meno. O Washington Post em 2017 havia publicado uma mat\u00e9ria com depoimentos do m\u00fasico Paul McCartney e um ic\u00f4nico lojista do setor, George Gruhn, onde afirmavam que est\u00e1vamos testemunhando a \u201cmorte lenta da guitarra el\u00e9trica\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo mat\u00e9ria publicada no El Pa\u00eds, ap\u00f3s anunciar a aquisi\u00e7\u00e3o do departamento de \u00e1udio e v\u00eddeo da Philips, o ent\u00e3o executivo-chefe da Gibson, Henry Juszkiewicz, afirmou que aquele era \u201co passo para nos tornarmos a maior empresa de som do mundo\u201d. Quatro anos mais tarde, a empresa de Nashville declararia fal\u00eancia e seria controlada pelo grupo de capital de risco KKR.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s este epis\u00f3dio, muito se falou sobre \u201co fim de uma era\u201d, onde muitos declaravam a \u201cmorte da guitarra el\u00e9trica\u201d culpando o Hip Hop e outros estilos musicais eletr\u00f4nicos como os principais respons\u00e1veis pelos insucessos de \u00edcones como as marcas norte-americanas Gibson, Fender e Martin a registrarem sucessivas quedas anuais de faturamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Gibson, centen\u00e1ria f\u00e1brica que iniciou suas atividades ainda no s\u00e9culo XIX fabricando bandolins, se tornou uma das principais refer\u00eancias na hist\u00f3ria do Rock, sendo utilizada por lendas do estilo musical que ditou os caminhos da m\u00fasica pop e da moda mundial. Quando foi decretada fal\u00eancia, apesar do choque do p\u00fablico que acompanha o segmento musical, j\u00e1 era sabido que se tratava de uma marca muito valiosa para desaparecer e, apesar de carregar uma d\u00edvida acima de 500 milh\u00f5es de d\u00f3lares, a propriet\u00e1ria KKR resolveu apostar em um executivo que esteve \u00e0 frente de uma outra importante marca centen\u00e1ria americana, a Levi\u00b4s, conseguindo associar os valores da sua tradi\u00e7\u00e3o, mas, ao mesmo tempo se tornando moderna e desej\u00e1vel por todos, inclusive para as novas gera\u00e7\u00f5es. James Curleigh, canadense, foi um estudante brilhante com passagens por Harvard e Stanford e tem o perfil do consumidor da Gibson, crescendo em uma fam\u00edlia musical e tocando em bandas de garagem a vida toda. Segundo ele, a escolha de aceitar o cargo para ressuscitar a marca foi algo emocional.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Curleigh seguiu pelo caminho inverso de seu antecessor. Em vez da expans\u00e3o, decidiu focar a empresa naquilo que ela sabia fazer de melhor: viol\u00f5es e guitarras. Simplificou a gama de produtos, dividindo-os em apenas duas cole\u00e7\u00f5es: Original, inspiradas nos modelos cl\u00e1ssicos; e Modern, onde se pode \u201cbrincar com outros materiais, outras superf\u00edcies e cores&#8230; ou at\u00e9 mesmo acrescentar mais cordas\u201d, como Mat Koehler, chefe de desenvolvimento da empresa, destacou para o El Pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Curleigh, o processo artesanal e os controles exaustivos de qualidade foram retomados, o que gerou elogios imediatos ao retorno da Gibson \u00e0 qualidade de suas origens. Pouco tempo depois, a pandemia surgiu e provocou uma inesperada paralisa\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o da Gibson, bem como das outras marcas. No entanto, mais inesperada ainda foi a recupera\u00e7\u00e3o nas vendas de viol\u00f5es e guitarras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em artigo do New York Times publicado em 2020, a guitarra n\u00e3o est\u00e1 apenas viva e bem, mas prosperando de uma forma que n\u00e3o acontecia h\u00e1 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Fender, uma das mais tradicionais fabricantes de instrumentos musicais norte-americana, atrav\u00e9s de seu executivo-chefe, Andy Mooney, afirmou que 2020 \u201cser\u00e1 o maior volume de vendas por ano na hist\u00f3ria\u201d da companhia, com crescimento de dois d\u00edgitos, expans\u00e3o de vendas no com\u00e9rcio eletr\u00f4nico e de vendas de equipamentos para iniciantes, o que se confirmou no ano seguinte. J\u00e1 as fabricas da Gibson n\u00e3o s\u00f3 retomaram a atividade normal, como dobraram sua capacidade produtiva e ampliaram a m\u00e3o de obra para assumir uma demanda muito superior \u00e0 esperada. Al\u00e9m disso, ainda adquiriu a marca de amplificadores Mesa Boogie com o intuito de oferecer uma experi\u00eancia completa ao m\u00fasico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo an\u00e1lise da Fender em 2021, nos \u00faltimos dois anos, per\u00edodo em que o mundo enfrentou a pandemia do covid-19, cerca de 16 milh\u00f5es de pessoas aproveitaram o per\u00edodo de distanciamento social para aprender a tocar guitarra. Dessas, 72% s\u00e3o jovens entre 13 e 34 anos. O fato mais curioso que a pesquisa \u201cNew Guitar Player Landscape Analysis\u201d (An\u00e1lise de Cen\u00e1rio de novos guitarristas) apresentou foi que 58% dos novos guitarristas foram inspirados por conte\u00fados produzidos no TikTok.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Fender vendeu mais guitarras em 2020 que em qualquer outro ano em sua hist\u00f3ria, mas, segundo a publica\u00e7\u00e3o do New York Times, fabricantes como Gibson, Taylor, Martin e outras tamb\u00e9m reportaram um \u201cboom\u201d de vendas durante a pandemia, com novos consumidores que adotaram o que est\u00e3o chamando \u201cterapia das seis cordas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O NEG\u00d3CIO DE VENDER INSTRUMENTOS MUSICAIS<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como o segmento de guitarras, outros instrumentos tamb\u00e9m tiveram maior procura e as vendas utilizando os canais digitais se intensificaram. O colaborador, Mark San, da Montreal Music, uma rede de lojas de instrumentos musicais no Brasil, afirma que foi espantoso o crescimento da empresa em plena pandemia. Segundo ele, as vendas tiveram grande queda nas primeiras semanas. No entanto, houve um segundo movimento de grande procura por instrumentos musicais e acess\u00f3rios atrav\u00e9s dos canais de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico e, ap\u00f3s a autoriza\u00e7\u00e3o da abertura de lojas em hor\u00e1rios reduzidos, a Montreal abriu uma nova loja na cidade de Guarulhos, ampliando a pra\u00e7a de atua\u00e7\u00e3o, seguindo todas as recomenda\u00e7\u00f5es de autoridades e protocolos de seguran\u00e7a da OMS. O atendimento consultivo da empresa, seja nas vendas presenciais ou nas vendas online utilizando como ferramentas o WhatsApp e as redes sociais da loja, foi um dos grandes diferenciais da rede de lojas que possu\u00eda naquele per\u00edodo cinco lojas, incluindo unidades em endere\u00e7os tradicionais do com\u00e9rcio do setor como a regi\u00e3o da Santa Ifig\u00eania, no centro de S\u00e3o Paulo, e a Rua Teodoro Sampaio, no bairro de Pinheiros, a principal refer\u00eancia no com\u00e9rcio de instrumentos musicais premium. A equipe, formada por m\u00fasicos com larga experi\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 um dos diferenciais. Mark San, por exemplo, era sideman (m\u00fasico acompanhante) de importantes nomes da m\u00fasica popular e sertaneja, tendo como um dos \u00faltimos trabalhos (at\u00e9 o per\u00edodo da pandemia come\u00e7ar) a dupla sertaneja Gian &amp; Giovani. Segundo ele, o clima organizacional \u201c\u00e9 incr\u00edvel, pois a Montreal tem a boa pr\u00e1tica de reconhecer o m\u00e9rito dos seus colaboradores\u201d, enaltecendo que \u201ca empresa transformou a vida de muitos de n\u00f3s, dando a oportunidade de melhorar a qualidade de vida e dar a oportunidade de crescimento constante\u201d. Mark que iniciou com a fun\u00e7\u00e3o de demonstrar produtos na loja da Vila Formosa era naquele momento o respons\u00e1vel pela gest\u00e3o da loja na rua Teodoro Sampaio.&nbsp; Ao mesmo tempo que tivemos o exemplo de plena expans\u00e3o no per\u00edodo de pandemia, encontr\u00e1vamos casos de lojas tradicionais do setor fechando suas portas e decretando fal\u00eancia, como a Playtech.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que explica resultados t\u00e3o distintos em empresas que atuam no mesmo setor?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo Nassar j\u00e1 apresentava em sala de aula a import\u00e2ncia de se conhecer a raz\u00e3o de existir de uma empresa. Para ele, uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se resume apenas em produzir determinados bens de consumos ou ser um local onde pessoas desempenham um determinado tipo de fun\u00e7\u00e3o\/servi\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um potencial agente transformador social, pois \u201cde nada valem as estrat\u00e9gias modernas e sofisticadas de comunica\u00e7\u00e3o e defesa da imagem organizacional \u2026 se elas n\u00e3o chegarem ao pessoal das oficinas, dos escrit\u00f3rios, da \u2018classe m\u00e9dia\u2019, do \u2018ch\u00e3o da f\u00e1brica\u2019 e da \u2018periferia\u2019 da empresa \u2013 ou se n\u00e3o s\u00e3o compreendidas por ele\u201d (2006). Entrar em um ambiente mercadol\u00f3gico altamente competitivo n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. \u00c9 fundamental reconhecer a natureza empresarial, ter uma vis\u00e3o mercadol\u00f3gica bem definida, uma miss\u00e3o a desempenhar dentro do segmento que deseja atuar e valores que sejam capazes de serem reconhecidos pelo p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mitsuru Yanaze (2006) alerta que \u201co sucesso na conquista do mercado n\u00e3o depende somente da atua\u00e7\u00e3o da empresa\u201d e de suas vantagens competitivas, como seu poder de barganha com fornecedores, mix de produtos e capital, por exemplo; mas \u201cde sua intera\u00e7\u00e3o com as institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es, as quais, al\u00e9m de comporem seu ambiente mercadol\u00f3gico externo, podem afet\u00e1-la positiva ou negativamente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Deste modo, \u00e9 fundamental criar mecanismos para se aproximar dos diversos p\u00fablicos que se relacionam com a empresa e, de certo modo, propor um maior envolvimento entre eles, se preocupando efetivamente com seus anseios e expectativas e verificar se est\u00e3o alinhados ao prop\u00f3sito da exist\u00eancia do neg\u00f3cio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O PROP\u00d3SITO DA EXIST\u00caNCIA DO NEG\u00d3CIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>COMO ALICERCE DO POSICIONAMENTO DO PRODUTO<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como apresentado anteriormente, a atividade econ\u00f4mica de fabricar instrumentos musicais, pe\u00e7as e acess\u00f3rios faz parte do setor da ind\u00fastria da economia criativa, que vem crescendo de forma expressiva em representatividade em termos percentuais dentro da atividade industrial de transforma\u00e7\u00e3o no Brasil. No entanto, segundo informa\u00e7\u00f5es da Associa\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria da M\u00fasica (Anafima), cerca de 90% dos itens comercializados no setor de instrumentos musicais em territ\u00f3rio brasileiro s\u00e3o importados, sendo que boa parte dos produtos s\u00e3o de origem asi\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros quantitativos podem oferecer uma leitura imprecisa da atividade e do mercado, e podem mascarar um promissor segmento que est\u00e1 em ascens\u00e3o: o de instrumentos de oficina, bem como o de instrumentos de autores brasileiros. Para tanto, \u00e9 importante categorizarmos os produtos de acordo com o processo de produ\u00e7\u00e3o, pois esta \u00e9 uma das formas mais conhecidas de reconhecimento de valor dos instrumentos musicais no mundo e, de certo modo, a escolha de um dos referidos modelos de processo de produ\u00e7\u00e3o ser\u00e1 determinante para o posicionamento mercadol\u00f3gico, pois direcionar\u00e1 inevitavelmente a natureza e o prop\u00f3sito da exist\u00eancia do neg\u00f3cio. A saber:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Instrumentos de f\u00e1brica:<\/strong>&nbsp;Sejam eles produzidos manualmente por funcion\u00e1rios de uma f\u00e1brica ou por m\u00e1quinas, geralmente, s\u00e3o os instrumentos de custo mais acess\u00edvel no mercado. O que importa nesta categoria \u00e9 o produto ser produzido no menor tempo poss\u00edvel, com a garantia de ter especifica\u00e7\u00f5es aceit\u00e1veis pelo grande p\u00fablico e com perdas materiais em n\u00edveis aceit\u00e1veis. Tudo isso com o intuito de manter a grande estrutura e obten\u00e7\u00e3o de lucro da atividade econ\u00f4mica da empresa. Em suma, no cen\u00e1rio ideal temos instrumentos honestos produzidos em s\u00e9rie \u2013 ou em larga escala. Eles podem ter categorias diferentes de pre\u00e7o para atender perfis de consumidores diferentes. Ou seja, poderemos encontrar desde os instrumentos mais simples e funcionais, at\u00e9 instrumentos com acabamentos primorosos e detalhes customizados com o intuito de atrair um p\u00fablico interessado em instrumentos de alto padr\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, como caracter\u00edstica de instrumentos de f\u00e1brica de boa proced\u00eancia, podemos destacar a capacidade de manter um padr\u00e3o de qualidade alinhado ao perfil de consumidor que se destinam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Instrumentos de oficina\/workshop:<\/strong>&nbsp;Podem ter produ\u00e7\u00e3o manual coordenada por um mestre luthier (no segmento de instrumentos de corpo s\u00f3lido este profissional \u00e9 chamado de master builder) e produzida por uma equipe de luthiers assistentes; e podem ter produ\u00e7\u00e3o automatizada atrav\u00e9s do uso de CNCs.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o de custo intermedi\u00e1rio dentro do segmento e \u00e9 o tipo de instrumento musical que mais gera imprecis\u00f5es no Brasil quanto a sua natureza. Muitas vezes chamados de \u201cinstrumentos de luthier\u201d, \u201ccustomshop\u201d ou \u201chandmade\u201d no pa\u00eds, no entanto s\u00e3o categorizados mundialmente como \u201cinstrumentos de oficina\u201d ou \u201cde ateli\u00ea\u201d. Os instrumentos \u201cCustom Shop\u201d tamb\u00e9m fazem parte da modalidade, caracterizando-se por uma oficina que atende no sistema \u201con demand\u201d, incluindo em seu portf\u00f3lio a possibilidade de personaliza\u00e7\u00e3o de algumas caracter\u00edsticas dos seus produtos base, tornando-se assim um meio termo entre os instrumentos produzidos em s\u00e9rie e a exclusividade dos instrumentos artesanais de autor. Assim como os instrumentos de f\u00e1brica, s\u00e3o produzidos por uma equipe com o aval de um respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o (ou seja, que atesta a qualidade do instrumento produzido).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se diferem das f\u00e1bricas, pois possuem uma preocupa\u00e7\u00e3o maior com a qualidade do produto, o que inevitavelmente influenciar\u00e1 na velocidade da produ\u00e7\u00e3o, mais lenta, pois haver\u00e1 in\u00fameros controles de qualidade em cada etapa do processo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se por um lado os workshops (ou ateli\u00eas) possuem uma produ\u00e7\u00e3o menor, por outro possuem menor desperd\u00edcio de material, bem como s\u00e3o menores as chances de apresentarem produtos com defeito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Instrumentos de autor:<\/strong>&nbsp;S\u00e3o obrigatoriamente produzidos manualmente por um luthier do come\u00e7o ao fim. Como os instrumentos s\u00e3o produzidos um a um, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta. Via de regra, a mat\u00e9ria prima \u00e9 bem selecionada e atendem no mais alto grau crit\u00e9rios de resist\u00eancia mec\u00e2nica, est\u00e9tica e sonoridade. Dependendo de quem assina a pe\u00e7a, o instrumento pode valer uma grande fortuna, como os casos de instrumentos leiloados com pre\u00e7os acima de US$ 3 milh\u00f5es, violinos assinados por Antonio Stradivari e Giuseppe Guarneri, por exemplo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente o valor do instrumento depender\u00e1 muito da capacidade t\u00e9cnica do artes\u00e3o e, \u00e9 claro, de sua reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A CRIA\u00c7\u00c3O DE PORTF\u00d3LIO ALINHADA AO PROCESSO PRODUTIVO<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se define um posicionamento de acordo com o processo produtivo, algumas quest\u00f5es come\u00e7am, de certo modo a serem respondidas, especialmente no que se refere ao modelo de neg\u00f3cio da empresa. Entretanto, outras come\u00e7am a surgir, em especial, no que se refere ao portf\u00f3lio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise de portf\u00f3lio de produtos, segundo Yanaze, al\u00e9m de fundamental, \u00e9 o primeiro passo para minimiza\u00e7\u00e3o de riscos e garantia de um planejamento estrat\u00e9gico orientado ao mercado. Afinal, n\u00e3o adianta oferecermos um produto de autor para quem n\u00e3o reconhece o trabalho art\u00edstico em um instrumento musical. Para um p\u00fablico que n\u00e3o consegue distinguir um bom instrumento musical de um objeto em forma de viol\u00e3o, por exemplo, oferecer um instrumento artesanal por 25 mil reais pode ser interpretado como um desaforo, pois o pre\u00e7o de um bem de consumo n\u00e3o \u00e9 definido apenas pelos insumos e pelo custo de sua m\u00e3o de obra, mas tamb\u00e9m pelo reconhecimento de valor por parte do consumidor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O produto, de fato, mesmo sendo uma parte de todo o processo mercadol\u00f3gico, \u00e9 o ator principal da organiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 atrav\u00e9s dele e de sua exist\u00eancia que uma empresa atua em determinado mercado, que origina a perspectiva do consumo e, consequentemente, de seu sucesso depende a longevidade de uma empresa. Em vendas \u00e9 bastante comum ouvir a express\u00e3o \u201c\u00e9 como vender gelo para esquim\u00f3\u201d para ilustrar metas imposs\u00edveis de serem alcan\u00e7adas. E \u00e9 justamente por isso que estrat\u00e9gias ou decis\u00f5es sobre produtos exigem extrema aten\u00e7\u00e3o e suas etapas fundamentais devem ser sempre revisadas, caso contr\u00e1rio, qualquer decis\u00e3o relativa ao produto pode gerar implica\u00e7\u00f5es em outras inst\u00e2ncias do processo de gest\u00e3o e na cadeia produtiva da empresa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>1.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<strong>&nbsp;PRIMEIRA ETAPA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Podemos destacar, como a primeira etapa fundamental, uma an\u00e1lise dos processos de produ\u00e7\u00e3o. Como exemplo, poderemos imaginar que a referida an\u00e1lise revelasse que a aplica\u00e7\u00e3o do logotipo da marca \u00e9 o ponto fraco do produto, o que poderia sugerir que a empresa devesse considerar modifica\u00e7\u00f5es neste aspecto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a modifica\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o do logotipo \u201cem decalque\u201d por uma \u201caplica\u00e7\u00e3o em serigrafia\u201d, por exemplo, implicaria mudan\u00e7as no processo de compra da mat\u00e9ria prima, busca de novos fornecedores, formas de negocia\u00e7\u00e3o, no estudo da melhor forma de aplica\u00e7\u00e3o do novo m\u00e9todo, no treinamento da m\u00e3o de obra para aplicar corretamente o logotipo no headstock, ou at\u00e9 mesmo na aquisi\u00e7\u00e3o de um novo maquin\u00e1rio e equipamentos para confeccionar as telas de silk. Deste modo, a escolha do processo de produ\u00e7\u00e3o implantado, al\u00e9m de estar alinhado com o prop\u00f3sito da marca, deve levar em considera\u00e7\u00e3o que, cada pequena altera\u00e7\u00e3o do produto, assim que ele foi definido, ir\u00e3o exigir mudan\u00e7as estruturais que podem, dependendo da complexidade e volume de produ\u00e7\u00e3o, paralisar uma f\u00e1brica ou inviabilizar a continuidade de um neg\u00f3cio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>2.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<strong>SEGUNDA ETAPA<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda etapa est\u00e1 relacionada em caracterizar os produtos, a exemplo do que a Gibson fez, simplificando suas linhas e dividindo em duas principais categorias: Original e Modern. Este estudo geralmente apresenta as caracter\u00edsticas inatas do produto, o que possibilita considerar formas de exposi\u00e7\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o para que ele se desenvolva no p\u00fablico-alvo. Por exemplo, as guitarras Original, por possu\u00edrem caracter\u00edsticas das tradicionais, ic\u00f4nicas e consagradas guitarras da marca, \u00e9 fundamental considerar a sua distribui\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a nos pontos de venda, pois a forma de se relacionar com o p\u00fablico tamb\u00e9m ser\u00e1, geralmente, tradicional. Sentir o instrumento nas m\u00e3os \u00e9 importante para este p\u00fablico com perfil mais conservador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, as guitarras da linha Modern, onde o cliente pode inserir quantidades de cordas a mais e solicitar outro tipo de configura\u00e7\u00e3o de captadores, por exemplo, acaba se tornando um produto com caracter\u00edsticas on demand, mais pr\u00f3ximos de um instrumento de oficina \u201cCustomShop\u201d, exigindo um desprendimento do m\u00fasico em adquirir um produto de estoque, a pronta entrega, para ser recompensado com a entrega de um instrumento \u00fanico, exclusivo. Yanaze prop\u00f5e uma adapta\u00e7\u00e3o da lista de checagem da evolu\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento do marketing no plano t\u00e1tico das empresas para analisar os dados relativos aos produtos:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>1.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Hist\u00f3rico (caso o produto j\u00e1 exista no mercado), motivos e justificativas de cria\u00e7\u00e3o (no caso de produtos inexistentes);&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>2.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Ciclo de vida e estrat\u00e9gia atual;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>3.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Caracter\u00edsticas e diferenciais;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>4.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Benef\u00edcios (ou hierarquia de valor) para os consumidores;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>5.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Marca da empresa, linha e produtos;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>6.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Design dos produtos;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>7.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Embalagens e r\u00f3tulos;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>8.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Qualidade intr\u00ednseca e comparada;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>9.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Servi\u00e7os e garantias ao consumidor;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>10.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Formas de uso e instru\u00e7\u00f5es de cuidado;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>11.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Levantamento de necessidades regionais relativas ao uso;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>12.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Possibilidades de desenvolvimento dos produtos;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>13.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Dados relevantes de pesquisas anteriores, relativas aos produtos em quest\u00e3o; e&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>14.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Checklist de produ\u00e7\u00e3o e log\u00edstica, envolvendo os seguintes aspectos: suprimentos, instala\u00e7\u00f5es e espa\u00e7o, equipamentos, pessoal t\u00e9cnico e quadro-resumo de investimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>3.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<strong>TERCEIRA E QUARTA ETAPAS<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na terceira etapa de Yanaze s\u00e3o utilizados os modelos GE e BCG em uma an\u00e1lise comparativa para avaliar a contribui\u00e7\u00e3o do produto com o faturamento da empresa; e, por fim, na quarta etapa ser\u00e1 realizada uma revis\u00e3o da an\u00e1lise SWOT, com o intuito de auxiliar na defini\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias e a\u00e7\u00f5es relacionadas aos produtos no curto, m\u00e9dio e longo prazos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O P\u00caNDULO DO CONSUMO: RACIONAL X EMOCIONAL<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, \u00e9 fundamental levarmos em considera\u00e7\u00e3o fen\u00f4menos mercadol\u00f3gicos que identificam um padr\u00e3o de consumo emocional no setor de instrumentos musicais, o que fortalece a m\u00e1xima de que um instrumento n\u00e3o \u00e9 apenas um produto funcional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>No caso dos instrumentos de autor, s\u00e3o pe\u00e7as com valor art\u00edstico, o que j\u00e1 os torna \u00fanicos. No entanto, existem valores intang\u00edveis que podem alterar vertiginosamente o pre\u00e7o de mercado, mesmo que o instrumento musical seja de f\u00e1brica. Como exemplo podemos destacar modelos da Gibson que chegam facilmente a 5 d\u00edgitos de d\u00f3lares e os instrumentos extremamente valorizados mercadologicamente da Fender. (DE LAET. 2020)&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um fen\u00f4meno que explica o premium price &#8211; ou seja, a rela\u00e7\u00e3o entre o pre\u00e7o cobrado pelo produto e a percep\u00e7\u00e3o de valor por parte do consumidor &#8211; elevado de marcas como Gibson e Fender, entre outras marcas de propriedade de fabricantes de larga escala, \u00e9 a estrat\u00e9gia de se utilizar o endosso de celebridade como um atalho para imbuir o bem de consumo com valores intang\u00edveis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Grant McCracken ensina que os bens de consumo possuem uma import\u00e2ncia que vai al\u00e9m do seu uso e do seu valor comercial e que esta import\u00e2ncia est\u00e1 mais relacionada \u00e0 sua habilidade de comunicar significados culturais (2005). E \u00e9 por esta raz\u00e3o que o h\u00e1bito de consumo deve ser analisado com maior aten\u00e7\u00e3o, levando em considera\u00e7\u00e3o o grau de envolvimento, ou seja, a relev\u00e2ncia percebida de um determinado objeto baseada nas necessidades, valores e interesses inerentes \u00e0 pessoa (ZAICHKOWSKY, 1985). No h\u00e1bito de consumo podemos destacar tr\u00eas tipos de envolvimento: com a propaganda, com o produto e com a decis\u00e3o de compra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O envolvimento com a propaganda \u00e9 basicamente o n\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o despendida ao an\u00fancio, independente qual seja o ve\u00edculo. Com o advento das redes sociais, os n\u00edveis de intera\u00e7\u00e3o com as campanhas e an\u00fancios publicit\u00e1rios aumentaram de forma expressiva, pois, al\u00e9m de ser impactado pela mensagem, o usu\u00e1rio participa ativamente compartilhando, comentando e, por que n\u00e3o, ressignificando o conte\u00fado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O envolvimento com o produto pode ser compreendido como o n\u00edvel do interesse de um consumidor por um determinado produto, mesmo que n\u00e3o o tenha adquirido. No segmento de instrumentos musicais podemos destacar consumidores que adquirem modelos cl\u00e1ssicos de guitarras produzidos por fabricantes de baixo custo ou de custo intermedi\u00e1rio com o desejo de adquirir o modelo original desenvolvido pela marca consagrada, como a Gibson ou a Fender, por exemplo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final, o envolvimento com a compra se refere \u00e0s diferen\u00e7as na compra de um mesmo produto em diferentes contextos. A autora ainda estabelece tr\u00eas fatores que ela denomina antecedentes de envolvimento, s\u00e3o eles: pessoais, do objeto (ou do est\u00edmulo), e situacionais. Os pessoais est\u00e3o relacionados a um conjunto de experi\u00eancias que determinam se a pessoa est\u00e1 ou n\u00e3o envolvida com determinado produto. Os fatores de est\u00edmulo est\u00e3o ligados ao tipo de m\u00eddia, ao conte\u00fado e aos atributos atribu\u00eddos ao produto anunciado. J\u00e1 os fatores situacionais referem-se ao consumidor que, por exemplo, deseja comprar um instrumento musical e presta aten\u00e7\u00e3o nos an\u00fancios de instrumentos musicais, participa de f\u00f3runs na internet sobre o assunto, testa produtos e apresenta alto grau de envolvimento. Deste modo, a import\u00e2ncia de um produto na vida do consumidor ir\u00e1 depender dos valores pessoais e necessidades dele em um determinado momento de sua vida. Em suma, esta import\u00e2ncia est\u00e1 relacionada \u00e0 cultura e ao indiv\u00edduo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vale lembrar que o significado cultural dos bens de consumo est\u00e1 em constante mudan\u00e7a, pois a propaganda, o mundo da moda e os rituais de consumo, por exemplo, s\u00e3o instrumentos da trajet\u00f3ria do significado. Isso explica o motivo para m\u00e1scaras N95 produzidas para o setor da constru\u00e7\u00e3o civil terem se esgotado rapidamente durante as primeiras semanas da pandemia do covid-19 em mar\u00e7o e abril de 2020. Ap\u00f3s uma campanha estimulando a fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras de prote\u00e7\u00e3o caseiras atrav\u00e9s dos diversos canais de comunica\u00e7\u00e3o com o receio de as m\u00e1scaras cir\u00fargicas e hospitalares tamb\u00e9m se esgotarem, criou-se rapidamente um item do mundo da moda: m\u00e1scaras com estampas e acabamentos diferenciados para compor o visual, seja ele casual ou formal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>McCracken apresenta tr\u00eas universos de significados (o mundo culturalmente constitu\u00eddo, o bem de consumo e o consumidor) e dois momentos que ocorre a transfer\u00eancia de significados (do mundo culturalmente constitu\u00eddo para o bem de consumo; e do bem de consumo para o consumidor). Isto porque a cultura, segundo McCracken possui duas naturezas distintas, sendo como uma lente onde todos os fen\u00f4menos s\u00e3o vistos; e como um diagrama da atividade humana, coordenando a a\u00e7\u00e3o social e a atividade produtiva, especificando os acontecimentos e objetos transmitidos para elas. Em suma, \u201ccomo uma lente, a cultura determina como o mundo deve ser visto. Como um diagrama, determina como o mundo ser\u00e1 modelado pelo ser humano\u201d. A cultura constitui o mundo dando a ele significado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este significado pode ser caracterizado em dois conceitos: categorias culturais e princ\u00edpios culturais. Podemos entender categorias culturais como coordenadas fundamentais do significado, segmentando a sociedade em distin\u00e7\u00f5es de classe, status, g\u00eanero, idade e ocupa\u00e7\u00e3o, por exemplo. Al\u00e9m disso, segmenta nossa realidade na rela\u00e7\u00e3o tempo e espa\u00e7o. Por exemplo, quando se diz que lugar de crian\u00e7a \u00e9 na escola, estamos levando em considera\u00e7\u00e3o algumas categorias culturais: idade (inf\u00e2ncia), ocupa\u00e7\u00e3o (estudante), tempo (per\u00edodo de estudos, que difere do tempo de lazer) e espa\u00e7o (escola). McCracken afirma que \u201cjuntos eles criam um sistema de distin\u00e7\u00f5es que organizam o universo de fen\u00f4menos\u201d (2005). Estes alicerces do mundo culturalmente constitu\u00eddo, no entanto, s\u00e3o invis\u00edveis para todos aqueles que vivem nele. De qualquer modo, s\u00e3o constantemente fundamentadas pela pr\u00e1tica humana de querer se diferenciar, de se destacarem, em suma, de criarem estas ferramentas para desenharem o mundo que imaginam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, \u201c\u00e9 deste mundo assim constitu\u00eddo que o significado destinado aos bens de consumo \u00e9 desenhado\u201d, e, por esse motivo, os bens de consumo podem ser considerados uma inst\u00e2ncia da cultura material. Isso fica evidente quando se observa que pessoas categorizadas atrav\u00e9s de g\u00eanero, idade, classe social e at\u00e9 mesmo \u00e1rea profissional podem ser representadas atrav\u00e9s de um conjunto de bens de consumo. Um jaleco branco, por exemplo, pode identificar facilmente um m\u00e9dico. Curiosamente a vestimenta que deveria servir de prote\u00e7\u00e3o para os m\u00e9dicos e pacientes virou sinal de identifica\u00e7\u00e3o e de status, como j\u00e1 descreveu a revista Super Interessante (2009).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os princ\u00edpios culturais s\u00e3o os valores e as ideias que est\u00e3o ligados intimamente a essas categorias, fundamentados pela cultura material em geral e pelos bens de consumo em particular. Isso significa que n\u00e3o h\u00e1 como um bem de consumo significar algo e deixar de significar outra coisa, ou seja, quando determinado produto est\u00e1 associado a determinadas categorias culturais inevitavelmente est\u00e1 imbu\u00eddo dos princ\u00edpios culturais intimamente associados a estas categorias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como exemplo podemos destacar um rel\u00f3gio masculino autom\u00e1tico de alto padr\u00e3o que, inevitavelmente, ser\u00e1 um produto com caracter\u00edsticas menos delicadas quando comparado a um rel\u00f3gio feminino. Associaremos este produto a valores como \u201crobustez\u201d ou \u201cfor\u00e7a\u201d, intimamente conectados ao universo masculino, al\u00e9m de ser \u201csofisticado\u201d, por se tratar de um produto de alto padr\u00e3o dedicado a um p\u00fablico de classe alta. Caso o exemplo apresentasse um rel\u00f3gio feminino popular, ou at\u00e9 mesmo um smartwatch, os valores associados a eles seriam diferentes do primeiro, pois estariam relacionados a categorias culturais diferentes. \u00c9 esta estrutura de significado que forma o mundo culturalmente constitu\u00eddo e que move o consumo. Ou seja, \u201cbens de consumo s\u00e3o ao mesmo tempo as cria\u00e7\u00f5es e os criadores do mundo culturalmente constitu\u00eddo\u201d (MCCRACKEN, 2005).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A TRANSFER\u00caNCIA DE SIGNIFICADO<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Robert Jordain afirma que \u201couvimos m\u00fasica pela experi\u00eancia do seu significado, pelo que ela nos diz\u201d (1998). Isso quer dizer que o h\u00e1bito de ouvir m\u00fasica n\u00e3o exige do ouvinte uma forma\u00e7\u00e3o musical, mas o senso de escuta e disposi\u00e7\u00e3o para pensar nas propostas apresentadas harmonicamente (ambiente) e melodicamente (narrativa da m\u00fasica). O ouvinte n\u00e3o precisa saber definir os elementos de linguagem e estrutura\u00e7\u00e3o musical, n\u00e3o precisa saber o que se refere a uma senten\u00e7a suspensiva ou resolutiva. No entanto, o ouvinte leigo consegue distinguir g\u00eaneros musicais e \u00e9 capaz de compreender o seu simbolismo social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando observamos um grupo de pessoas vestindo roupas pretas, cabelos compridos movendo suas cabe\u00e7as ao som de guitarras distorcidas sabemos que se trata de um cen\u00e1rio roqueiro. No entanto, poucos sabem que temos muitos elementos do lundu (g\u00eanero musical afro que foi criado a partir dos batuques dos escravizados bantos e considerado o primeiro ritmo afro-brasileiro, servindo de base para o choro e o samba atrav\u00e9s de deriva\u00e7\u00f5es de suas c\u00e9lulas r\u00edtmicas) em m\u00fasicas de bandas de heavy metal brasileiras, por exemplo. Para o ouvinte leigo, as inten\u00e7\u00f5es das c\u00e9lulas r\u00edtmicas de origem afro-brasileiras podem passar despercebidas, mas elas continuam ali. As raz\u00f5es de estarem ali podem ser in\u00fameras, mas, se o ouvinte ignorar aquele elemento, ele n\u00e3o existir\u00e1 em sua experi\u00eancia. Isso fica evidente quando somos confrontados com algumas a\u00e7\u00f5es interessantes realizadas por orquestras brasileiras, como a Sinf\u00f4nica Brasileira, a OSESP e a Jazz Sinf\u00f4nica, para desmistificar a imagem da m\u00fasica erudita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos ouvintes acreditam que a m\u00fasica erudita \u00e9 interessante, mas que n\u00e3o est\u00e3o preparados para ouvir, por ser muito complexa. O nome Wolfgang Amadeus Mozart gera admira\u00e7\u00e3o, respeito e, para ouvintes leigos que n\u00e3o possuem costume de ouvir m\u00fasica erudita, distanciamento. Acontece que poucos se atentam ao fato que Mozart \u00e9 um compositor do per\u00edodo cl\u00e1ssico, momento da m\u00fasica marcado pela simplifica\u00e7\u00e3o estrutural para a democratiza\u00e7\u00e3o da cultura devido \u00e0 influ\u00eancia dos valores iluministas. Mozart foi um dos principais compositores deste momento cultural, marcado pela constru\u00e7\u00e3o de salas de concerto e de teatros, onde a m\u00fasica n\u00e3o era mais privil\u00e9gio do clero e da nobreza. Mozart iniciou o movimento da \u00f3pera germ\u00e2nica, na qual utilizava o idioma local nas pe\u00e7as para que o ouvinte pudesse compreender o di\u00e1logo dos personagens, rompendo uma tradi\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o do idioma italiano, distante do entendimento do povo germ\u00e2nico. Curiosamente, quando se \u00e9 executado o primeiro movimento de Eine Kleine Nachtmusik com quarteto de cordas e bateria de escola de samba, por exemplo, a combina\u00e7\u00e3o inusitada reveste a m\u00fasica com o mesmo conceito que a originou: democratizar a cultura! Isso ilustra a necessidade de comunicar de uma forma mais efetiva e, muitas vezes, doutrinar o ouvinte a prestar aten\u00e7\u00e3o naquilo que a m\u00fasica (ou a mensagem) quer dizer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No universo de nosso mundo culturalmente constitu\u00eddo e do bem de consumo acontece algo similar. Para que o bem de consumo seja imbu\u00eddo do significado que se deseja, s\u00e3o utilizados alguns mecanismos comunicacionais para que isso ocorra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O PRIMEIRO MECANISMO DE TRANSFER\u00caNCIA DE SIGNIFICADO<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro deles \u00e9 o da propaganda que \u00e9 um dos mais eficientes, pois realiza a transfer\u00eancia de significado trazendo o bem de consumo e uma representa\u00e7\u00e3o do mundo culturalmente constitu\u00eddo. Juntos, eles s\u00e3o inseridos nas a\u00e7\u00f5es de publicidade definidas por uma ag\u00eancia ou pelo pr\u00f3prio anunciante com o intuito de unir esses dois elementos e impactar o leitor\/espectador conquistando a sua empatia, vislumbrando-o com signos que representam valores similares aos dele ou similares \u00e0 proje\u00e7\u00e3o da imagem que o leitor\/espectador tem dele mesmo. Quando esta equival\u00eancia simb\u00f3lica \u00e9 estabelecida satisfatoriamente, o espectador atribui certas propriedades que ele conhece do mundo culturalmente constitu\u00eddo ao bem de consumo. Essas propriedades conhecidas come\u00e7am, ent\u00e3o, a residir nas propriedades desconhecidas do bem de consumo, completando a transfer\u00eancia de significado do mundo culturalmente constitu\u00eddo ao bem de consumo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O SEGUNDO MECANISMO DE TRANSFER\u00caNCIA DE SIGNIFICADO<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo se refere ao sistema da moda. Dentro deste sistema, existem tr\u00eas caminhos poss\u00edveis para a transfer\u00eancia de significado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>1.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<strong>PRIMEIRO CAMINHO:<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro deles est\u00e1 relacionado \u00e0 capacidade de criar tend\u00eancias e, por que n\u00e3o, significados. Seguindo os caminhos da propaganda e utilizando espa\u00e7os em magazines, revistas, jornais, blogs e redes sociais, por exemplo, sua capacidade de criar tend\u00eancias de novos estilos de se vestir influenciam as categorias e os princ\u00edpios culturais e, \u00e9 claro, nos mesmos moldes da propaganda, transferem o significado ao bem de consumo. \u00c9 um caminho complexo por ser c\u00edclico, transformando o mundo culturalmente constitu\u00eddo, transfere significado atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o aos bens de consumo e os pr\u00f3prios bens de consumo alimentam o mundo culturalmente constitu\u00eddo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>2.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<strong>SEGUNDO CAMINHO:<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo caminho est\u00e1 relacionado \u00e0 capacidade de inventar significados culturais, mas de maneira radical. Ele est\u00e1 relacionado \u00e0 cultura urbana, nasce na sociedade industrial ocidental. Est\u00e1 intimamente ligado aos movimentos culturais minorit\u00e1rios, como os hippies, os punks, o p\u00fablico LGBTQ+, vivendo num mundo que n\u00e3o \u00e9 apenas culturalmente constitu\u00eddo, mas tamb\u00e9m historicamente constitu\u00eddo. No Brasil temos alguns bons exemplos, como a marca Daspu criada por prostitutas cariocas. O sucesso come\u00e7ou quando a paulistana Daslu acusou a Daspu de \u201cdenegrir\u201d o seu nome. O caso ganhou a imprensa e muitas celebridades resolveram apoiar a Daspu usando suas camisetas. A marca foi gerada pela ONG Davida que promove a\u00e7\u00f5es sociais junto \u00e0s prostitutas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>3.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<strong>TERCEIRO CAMINHO:<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro caminho est\u00e1 em explorar os formadores de opini\u00e3o, que \u201cajudam a construir e refinar o significado cultural existente, incentivando a reforma das categorias e dos princ\u00edpios culturais\u201d (McCRACKEN, 2005). S\u00e3o indiv\u00edduos tidos em alta estima por parte de um p\u00fablico em virtude do nascimento (nos casos da realeza e herdeiros de grandes empreendimentos, por exemplo), beleza, celebridade, ou feitos e realiza\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o fontes de significado para aqueles com menor destaque. Ou seja, tratamos aqui de uma elite social, um grupo de pessoas privilegiado que serve de exemplo e inspira\u00e7\u00e3o para as outras pessoas e que, com o advento das redes sociais, ganhou ainda mais relev\u00e2ncia nas estrat\u00e9gias de difus\u00e3o de bens de consumo no s\u00e9culo XXI. Este grupo consegue ditar estilos de vida, implantar novos valores por serem imitados pelas outras pessoas. \u00c9 neste contexto que o endosso de celebridade (ou de influenciadores) se encaixa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONCLUS\u00d5ES<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta investiga\u00e7\u00e3o sobre a hist\u00f3ria da luteria no Brasil, o crescimento mercadol\u00f3gico do setor da economia criativa e os desafios de formaliza\u00e7\u00e3o dos profissionais do segmento, observamos que h\u00e1 um grande potencial de contribui\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o de riquezas para o pa\u00eds. Quanto aos fatores do desempenho e sua inter-rela\u00e7\u00e3o com as denomina\u00e7\u00f5es de instrumentos de acordo com o processo de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel constatar que, a partir da escolha do modelo de neg\u00f3cio e da filosofia de quem \u00e9 o respons\u00e1vel pela atividade econ\u00f4mica de construir instrumentos musicais, \u00e9 fundamental conhecer \u2013 e reconhecer \u2013 seus valores e cren\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 importante saber quem \u00e9 o seu p\u00fablico consumidor e todo o emaranhado cultural que o cerca, entendendo suas motiva\u00e7\u00f5es, necessidades, desejos e comportamentos ao interagir com determinados s\u00edmbolos, suas interpreta\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es da signific\u00e2ncia dentro do processo de comunica\u00e7\u00e3o. A utiliza\u00e7\u00e3o de mecanismos de transfer\u00eancia de significado \u00e9 um importante atalho para a compreens\u00e3o da natureza do produto cultural, e, por essa raz\u00e3o, \u00e9 fundamental dominar a semi\u00f3tica do produto, neste caso, do instrumento musical dentro deste mundo culturalmente constitu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, saber se comunicar utilizando a mesma linguagem que o seu p\u00fablico-alvo, utilizando signos que ele reconhe\u00e7a e que despertem o seu interesse, ser\u00e1 determinante para o sucesso do neg\u00f3cio, seja para uma grande fabricante, uma oficina ou um artes\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ABDALA, Victor. Ind\u00fastria criativa movimentou R$ 393,3 bilh\u00f5es em 2023 no pa\u00eds. Ag\u00eancia Brasil. Economia. Rio de Janeiro: 2025. Dispon\u00edvek em: https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2025-06\/industria-criativa-movimentou-r-3933-bilhoes-em-2023-no-pais. Acesso em: 24 jun. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>BUKOWITZ, W. R.; WILLIAMS, R. L. Manual de gest\u00e3o do conhecimento: ferramentas e t\u00e9cnicas que criam valor para a empresa. Porto Alegre: Bookman, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>CHIAVENATO, Idalberto. Inicia\u00e7\u00e3o a Administra\u00e7\u00e3o, 3\u00ba Ed., Editora Manole, 2009, S\u00e3o Paulo, Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>COELHO, Leonardo. \u201cComprou por R$ 30 mil um violino que n\u00e3o valia R$ 3mil\u201d: o lucrativo mercado de instrumentos faleificados no Brasil. Rio de Janeiro: BBC. Out. 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-41543884&gt; Acesso em: 1 Ago. 2020<\/p>\n\n\n\n<p>DE LAET, M. A. L. Gest\u00e3o da identidade da marca: A influ\u00eancia do endosso de celebridades no mercado de instrumentos musicais. Monografia. Especializa\u00e7\u00e3o em Publicidade, Propaganda e Mercado. S\u00e3o Paulo: Universidade de S\u00e3o Paulo, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>DE LAET, M. A. L. Produ\u00e7\u00e3o manual vs. automatizada. Pode ser chamado de luthier aquele que usa CNC? S\u00e3o Paulo: M\u00fasica &amp; Mercado. Ago. 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/musicaemercado.org\/producao-manual-vs-cnc\/&gt; Acesso em: 05 Set. 2020<\/p>\n\n\n\n<p>GARCIA CANCLINI, N\u00e9stor. A sociedade sem relato: Antropologia e est\u00e9tica da Imin\u00eancia. Tradu\u00e7\u00e3o, Maria Paula Gurgel Ribeiro. S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>GARR\u00c1N, V. G. A influ\u00eancia dos aspectos visuais da embalagem na forma\u00e7\u00e3o das atitudes do consumidor: um estudo no setor de alimentos. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado). Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>HERON-ALLEN, Edward. Violin Making: A Historical and Practical Guide. New York: Dover Publications Inc., 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>HOWKINS, J. The creative economy: How people make money from ideas. 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Provo, UT: Association for Consumer Research, 1985.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group alignwide ext-is-logical-start has-global-padding is-content-justification-left is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-6729bdbe wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading ext-animate--on\">Luteria, M\u00fasica &amp; Afins<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left ext-animate--on\">Confira mais artigos publicados em nosso Blog.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-query alignwide is-layout-flow wp-block-query-is-layout-flow\"><ul class=\"columns-3 wp-block-post-template is-layout-grid wp-container-core-post-template-is-layout-10753265 wp-block-post-template-is-layout-grid\"><li class=\"wp-block-post post-4517 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-guia-de-compra tag-alliance-corum tag-alto-padrao tag-corda-premium tag-cordas tag-encordoamento tag-savarez tag-testes\">\n\n<div class=\"wp-block-group is-style-ext-preset--group--natural-1--item-card-1--align-start ext-animate--on has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained is-style-ext-preset--group--natural-1--item-card-1--align-start--2\"><figure style=\"aspect-ratio:4\/3;\" class=\"wp-block-post-featured-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/500AJ_MAIN-1.jpg?resize=1000%2C1000&#038;ssl=1\" class=\"attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image\" alt=\"\" style=\"width:100%;height:100%;object-fit:cover;\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/500AJ_MAIN-1.jpg?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/500AJ_MAIN-1.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/500AJ_MAIN-1.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/500AJ_MAIN-1.jpg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/500AJ_MAIN-1.jpg?resize=12%2C12&amp;ssl=1 12w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/500AJ_MAIN-1.jpg?resize=600%2C600&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/500AJ_MAIN-1.jpg?resize=100%2C100&amp;ssl=1 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-style-default has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-e0082cf6 wp-block-group-is-layout-constrained\"><div style=\"font-size:14px;font-style:normal;font-weight:600\" class=\"taxonomy-category wp-block-post-terms\"><a href=\"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/category\/guia-de-compra\/\" rel=\"tag\">Guia de compra<\/a><\/div>\n\n<h2 style=\"font-size:clamp(15.747px, 0.984rem + ((1vw - 3.2px) * 0.86), 24px); margin-top:8px;margin-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);\" class=\"wp-block-post-title\"><a href=\"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/cordas-savarez-alliance-corum-high-tension\/\" target=\"_self\" >Cordas Savarez Alliance CORUM &#8211; High Tension<\/a><\/h2>\n\n<div style=\"margin-top:var(--wp--preset--spacing--20);margin-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);\" class=\"wp-block-post-excerpt has-small-font-size\"><p class=\"wp-block-post-excerpt__excerpt\">A Savarez \u00e9, sem d\u00favida, uma das fabricantes de cordas mais tradicionais no mundo. Desde&hellip; <\/p><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-nowrap is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-b35fda84 wp-block-group-is-layout-flex\" style=\"margin-top:24px;padding-top:0;padding-right:0;padding-bottom:0;padding-left:0\"><div class=\"wp-block-avatar\"><a href=\"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/author\/delaet\/\" target=\"_self\"  class=\"wp-block-avatar__link\"><img alt='Avatar de Miguel De Laet' src='https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4151d70f44e6360d13e861416c72e779e2f824fa29b0d36f7ab7118b449bed12?s=48&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4151d70f44e6360d13e861416c72e779e2f824fa29b0d36f7ab7118b449bed12?s=96&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-48 photo wp-block-avatar__image' height='48' width='48'  style=\"border-radius:100px;\"\/><\/a><\/div>\n\n<div style=\"font-size:14px;font-style:normal;font-weight:600;text-decoration:none;\" class=\"wp-block-post-author-name\"><a href=\"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/author\/delaet\/\" target=\"_self\" class=\"wp-block-post-author-name__link\">Miguel De Laet<\/a><\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity wp-container-content-4daaf377\"\/>\n\n\n<div style=\"font-size:14px;text-transform:capitalize;\" class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2026-04-15T09:45:58-03:00\">abr 15, 2026<\/time><\/div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n<\/li><li class=\"wp-block-post post-550 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-luteria tag-construcao tag-corte-radial tag-corte-tangencial tag-fender tag-flat-sawn tag-luteria tag-luthieria tag-madeira tag-quarter-sawn tag-serragem tag-stradivari tag-stradivarius tag-suhr tag-tonewood\">\n\n<div class=\"wp-block-group is-style-ext-preset--group--natural-1--item-card-1--align-start ext-animate--on has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained is-style-ext-preset--group--natural-1--item-card-1--align-start--3\"><figure style=\"aspect-ratio:4\/3;\" class=\"wp-block-post-featured-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1196\" height=\"734\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cortesmadeira.png?resize=1196%2C734&#038;ssl=1\" class=\"attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image\" alt=\"\" style=\"width:100%;height:100%;object-fit:cover;\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cortesmadeira.png?w=1196&amp;ssl=1 1196w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cortesmadeira.png?resize=300%2C184&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cortesmadeira.png?resize=1024%2C628&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cortesmadeira.png?resize=768%2C471&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cortesmadeira.png?resize=18%2C12&amp;ssl=1 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-style-default has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-e0082cf6 wp-block-group-is-layout-constrained\"><div style=\"font-size:14px;font-style:normal;font-weight:600\" class=\"taxonomy-category wp-block-post-terms\"><a href=\"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/category\/luteria\/\" rel=\"tag\">Luteria<\/a><\/div>\n\n<h2 style=\"font-size:clamp(15.747px, 0.984rem + ((1vw - 3.2px) * 0.86), 24px); margin-top:8px;margin-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);\" class=\"wp-block-post-title\"><a href=\"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/bracos-cortados-radialmente-vs-bracos-cortados-tangencialmente\/\" target=\"_self\" >Bra\u00e7os cortados radialmente vs bra\u00e7os cortados tangencialmente<\/a><\/h2>\n\n<div style=\"margin-top:var(--wp--preset--spacing--20);margin-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);\" class=\"wp-block-post-excerpt has-small-font-size\"><p class=\"wp-block-post-excerpt__excerpt\">Afinal, corte radial \u00e9 melhor ou o tangencial tamb\u00e9m \u00e9 uma boa op\u00e7\u00e3o para um&hellip; <\/p><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-nowrap is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-b35fda84 wp-block-group-is-layout-flex\" style=\"margin-top:24px;padding-top:0;padding-right:0;padding-bottom:0;padding-left:0\"><div class=\"wp-block-avatar\"><a href=\"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/author\/delaet\/\" target=\"_self\"  class=\"wp-block-avatar__link\"><img alt='Avatar de Miguel De Laet' src='https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4151d70f44e6360d13e861416c72e779e2f824fa29b0d36f7ab7118b449bed12?s=48&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4151d70f44e6360d13e861416c72e779e2f824fa29b0d36f7ab7118b449bed12?s=96&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-48 photo wp-block-avatar__image' height='48' width='48'  style=\"border-radius:100px;\"\/><\/a><\/div>\n\n<div style=\"font-size:14px;font-style:normal;font-weight:600;text-decoration:none;\" class=\"wp-block-post-author-name\"><a href=\"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/author\/delaet\/\" target=\"_self\" class=\"wp-block-post-author-name__link\">Miguel De Laet<\/a><\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity wp-container-content-4daaf377\"\/>\n\n\n<div style=\"font-size:14px;text-transform:capitalize;\" class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2026-04-07T13:28:53-03:00\">abr 7, 2026<\/time><\/div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n<\/li><li class=\"wp-block-post post-420 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-luteria tag-cola tag-cola-animal tag-cola-de-luthier tag-cola-gelatina tag-cola-para-luteria tag-hide-glue tag-luthieria tag-melhor-cola\">\n\n<div class=\"wp-block-group is-style-ext-preset--group--natural-1--item-card-1--align-start ext-animate--on has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained is-style-ext-preset--group--natural-1--item-card-1--align-start--4\"><figure style=\"aspect-ratio:4\/3;\" class=\"wp-block-post-featured-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"506\" height=\"504\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/cola-e1774579331747.png?resize=506%2C504&#038;ssl=1\" class=\"attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image\" alt=\"\" style=\"width:100%;height:100%;object-fit:cover;\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/cola-e1774579331747.png?w=506&amp;ssl=1 506w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/cola-e1774579331747.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/cola-e1774579331747.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/cola-e1774579331747.png?resize=12%2C12&amp;ssl=1 12w, https:\/\/i0.wp.com\/delaet.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/cola-e1774579331747.png?resize=100%2C100&amp;ssl=1 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 506px) 100vw, 506px\" \/><\/figure>\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-style-default has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-e0082cf6 wp-block-group-is-layout-constrained\"><div style=\"font-size:14px;font-style:normal;font-weight:600\" class=\"taxonomy-category wp-block-post-terms\"><a href=\"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/category\/luteria\/\" rel=\"tag\">Luteria<\/a><\/div>\n\n<h2 style=\"font-size:clamp(15.747px, 0.984rem + ((1vw - 3.2px) * 0.86), 24px); margin-top:8px;margin-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);\" class=\"wp-block-post-title\"><a href=\"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/a-importancia-da-cola-na-luteria-de-instrumentos-de-autor-e-nas-oficinas-de-alto-padrao\/\" target=\"_self\" >A import\u00e2ncia da cola na luteria de instrumentos de autor e nas oficinas de alto padr\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n<div style=\"margin-top:var(--wp--preset--spacing--20);margin-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);\" class=\"wp-block-post-excerpt has-small-font-size\"><p class=\"wp-block-post-excerpt__excerpt\">Por que o tipo de cola utilizado na constru\u00e7\u00e3o de instrumentos \u00e9 importante na Luteria&hellip; <\/p><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-nowrap is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-b35fda84 wp-block-group-is-layout-flex\" style=\"margin-top:24px;padding-top:0;padding-right:0;padding-bottom:0;padding-left:0\"><div class=\"wp-block-avatar\"><a href=\"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/author\/delaet\/\" target=\"_self\"  class=\"wp-block-avatar__link\"><img alt='Avatar de Miguel De Laet' src='https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4151d70f44e6360d13e861416c72e779e2f824fa29b0d36f7ab7118b449bed12?s=48&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4151d70f44e6360d13e861416c72e779e2f824fa29b0d36f7ab7118b449bed12?s=96&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-48 photo wp-block-avatar__image' height='48' width='48'  style=\"border-radius:100px;\"\/><\/a><\/div>\n\n<div style=\"font-size:14px;font-style:normal;font-weight:600;text-decoration:none;\" class=\"wp-block-post-author-name\"><a href=\"https:\/\/delaet.com.br\/pt_br\/author\/delaet\/\" target=\"_self\" class=\"wp-block-post-author-name__link\">Miguel De Laet<\/a><\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity wp-container-content-4daaf377\"\/>\n\n\n<div style=\"font-size:14px;text-transform:capitalize;\" class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-09-06T23:34:12-03:00\">set 6, 2025<\/time><\/div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n<\/li><\/ul><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons alignwide is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-ext-preset--button--natural-1--button-1 is-style-ext-preset--button--natural-1--button-1--5\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"#extendify-blog\">Ver tudo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RESUMO:&nbsp;Este artigo, fragmento atualizado do meu trabalho de conclus\u00e3o de curso em Gest\u00e3o Empresarial na FATEC-SCS \u201cAntonio Russo\u201d, busca apresentar fatos hist\u00f3ricos importantes para o desenvolvimento da luteria e da ind\u00fastria de instrumentos musicais no Brasil, assim como dados econ\u00f4micos e dos seus principais personagens, levando em considera\u00e7\u00e3o os impactos do per\u00edodo da pandemia. 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